Diretor de “Leaving Neverland” diz que Michael Jackson era “pior que Jeffrey Epstein”

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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MIchael Jackson. Crédito: Jim Ruyman-Pool/Getty Images

Por que isso importa?

Para os fãs e para o público que acompanha a trajetória de Michael Jackson, a declaração do diretor de "Leaving Neverland" reacende um debate complexo. Ela questiona a forma como a arte é consumida diante de acusações graves e como a indústria do entretenimento lida com o passado de figuras controversas, especialmente com o lançamento de uma cinebiografia que opta por não abordar esses temas. Essa discussão é central para entender o legado de artistas e a responsabilidade da mídia.


Dan Reed, diretor do documentário “Leaving Neverland”, afirmou que Michael Jackson era “pior que Jeffrey Epstein” e que os fãs do cantor “não se importam” com as acusações de abuso infantil contra ele. As declarações surgem em meio ao lançamento do filme biográfico “Michael”, da Lionsgate, estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do artista.

Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Reed foi questionado sobre o crescimento da popularidade de Jackson nos últimos anos, impulsionado por um musical de sucesso e pelo novo filme. Ele respondeu: “Isso diz que as pessoas não se importam que ele era um molestador de crianças. Literalmente, as pessoas simplesmente não se importam.”

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Reed acrescentou que nenhuma das alegações em “Leaving Neverland” foi seriamente contestada, mas o “barulho online” de vídeos que “desmistificam” as acusações facilitou para as pessoas se permitirem gostar da música de Michael Jackson novamente. O diretor acredita que nada que ele diga ou faça mudaria a opinião das pessoas sobre as acusações, afirmando: “Acho que muitas pessoas simplesmente amam a música dele e fazem ouvidos moucos. E, a menos que haja uma evidência em vídeo de Michael Jackson envolvido em relações sexuais com uma criança de 7 anos, não sei o que seria suficiente para mudar a mente dessas pessoas.”

Sobre a música de Jackson, Reed declarou que nunca defendeu o “cancelamento” de sua obra, comparando a “queima de livros” à Idade Média. “Só acho que, se você vai curtir a música dele, vamos também considerar o fato de que ele gostava de fazer sexo com crianças e ver como isso afeta seu prazer”, disse ele.

O diretor também criticou Antoine Fuqua, diretor de “Michael”, por excluir as acusações do filme, questionando: “Como você pode contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem nunca mencionar o fato de que ele foi seriamente acusado de ser um molestador de crianças? Eu realmente não consigo ver.” Reed sugeriu que os espectadores do filme “ignoram completamente o fato de que esse cara era pior que Jeffrey Epstein”.

A cinebiografia “Michael” evita qualquer menção às acusações de abuso sexual contra Jackson e termina em 1988, antes que qualquer alegação fosse feita. Michael Jackson enfrentou um julgamento em 2005 por dez acusações de abuso infantil e foi considerado inocente em todas elas por um júri na Califórnia. O diretor Antoine Fuqua já havia questionado a integridade dos acusadores.

Reportagens indicam que o filme “Michael” originalmente incluiria as alegações de 1993, feitas por Evan Chandler, que acusou o astro de abusar sexualmente de seu filho de 13 anos. Jackson negou as acusações, e as partes chegaram a um acordo financeiro em 1994. A produção teria descoberto, já em fase avançada das filmagens, que uma cláusula no acordo com a família Chandler impedia a representação da criança ou qualquer menção a ela no filme. Isso levou a uma cara refilmagem, estimada em 15 milhões de dólares, supostamente coberta pela herança de Jackson.

Em resposta a uma pergunta no programa Today sobre se “Michael” “maquiou” a história de Jackson, Colman Domingo, que interpreta Joe Jackson no filme, defendeu: “O filme se passa dos anos 1960 a 1988, então não aborda as primeiras alegações de, o quê, 2005? Basicamente, nós o centramos na criação de Michael. É um retrato íntimo de quem Michael é.”

(Via: Far Out Magazine)

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