Em 1982, Eric Clapton quase morreu por causa do álcool e dos remédios

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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Eric Clapton. Crédito: Reprodução/Getty Images

A trajetória de Eric Clapton com as drogas e o álcool quase o levou à morte. Em janeiro de 1982, o guitarrista foi levado às pressas para o Hazelden Treatment Center, em Minnesota, nos Estados Unidos, após uma hemorragia interna causada pelo consumo excessivo de álcool e codeína.

Na época, Clapton estava bebendo três garrafas de conhaque por dia e tomando punhados de codeína. A combinação resultou em três úlceras, sendo que uma delas estava sangrando. Ele foi levado de avião para o hospital e, segundo o próprio músico, estava morrendo.

“Eu não sei como sobrevivi, especialmente aos anos 1970. Teve um momento em que me levaram voando para o hospital em St Paul e eu estava morrendo, aparentemente”, disse Clapton em entrevista à Classic Rock em 2017. “Eu tinha três úlceras e uma delas estava sangrando.”

O músico conta que não se lembra de nada desse episódio. “Eu estava bebendo três garrafas de conhaque e tomando punhados de codeína e estava perto de partir. E eu nem lembro”, completou.

Antes de buscar ajuda, Clapton passou mais de três anos com dependência severa de heroína. Quando tentou largar o opioide, substituiu a droga pelo álcool. Ele admite que nunca considerou a abstinência total como opção naquele momento.

“O fato de ter música na minha vida sempre foi o elemento de salvação. Não necessariamente tocar, mas estar consciente dela, ouvir música, me manteve em movimento”, escreveu Clapton em sua autobiografia sobre como conseguiu se livrar do vício.

Durante o pico da dependência de heroína, Clapton gastava o equivalente a mais de 8 mil libras por semana nos valores de hoje para conseguir a droga, o que quase o deixou financeiramente destruído. “Eu estava perto de ficar sem dinheiro. Financeiramente, estava no limite”, afirmou.

O guitarrista também refletiu sobre o impacto que seu vício teve nas pessoas ao seu redor. “Não sei o quão perto eu cheguei e as pessoas ao meu redor também. Eu estava levando pessoas comigo. Essa é sempre a pior parte de um viciado ou alcoólatra: as pessoas são arrastadas junto e às vezes vão antes do personagem principal”, disse.

Hoje, Clapton está sóbrio desde 1987. Ele afirma que não se arrepende desse período problemático, pois o ajudou a se tornar quem é. “Minha vida não seria a mesma e eu não teria o que tenho hoje se não tivesse passado por tudo isso”, disse no documentário “A Life in Twelve Bars”.

“Minha música é sobre curar as feridas em mim e depois curar as feridas em outras pessoas. É para isso que estou nisso agora”, completou.

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