Fãs dançam durante exibições do filme “Michael” e dividem público nos cinemas

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Michael Jackson. 'Michael' still Universal Pictures
Por que isso importa?

Para os fãs de Michael Jackson, a possibilidade de reviver a energia de seus shows no cinema é um atrativo. No entanto, a discussão sobre a etiqueta em salas de exibição é antiga e ressurge com força, mostrando como a paixão pela música pode colidir com a expectativa de uma experiência cinematográfica tradicional. Este debate reflete a busca por novas formas de interação com a cultura pop.


Uma nova tendência de dança está surgindo nas exibições do filme biográfico “Michael”, estrelado por Jaafar Jackson, sobrinho do falecido astro. A prática tem dividido a opinião do público nos cinemas.

O longa “Michael” estreou na semana passada e, apesar de uma recepção crítica mista, alcançou um grande sucesso comercial, arrecadando 217 milhões de dólares globalmente. Tornou-se a maior abertura de bilheteria para um filme biográfico musical. Com a trilha sonora recheada de grandes sucessos de Jackson, muitos espectadores têm se levantado para dançar durante as sessões.

A tendência gerou reações diversas nas redes sociais. Enquanto alguns criticam a atitude, argumentando que a sala de cinema não é um show, outros descrevem a experiência como “uma das melhores” que já tiveram. “Eu estava pensando em ir ver ‘Michael’ amanhã no cinema, mas coisas assim me fazem querer assistir em casa”, escreveu uma pessoa, compartilhando imagens de um fã dançando. “Se eu pago para ver um FILME, não quero ver ninguém dançando além de Michael.”

Outro espectador concordou: “Há uma diferença entre aproveitar o momento e atrapalhar a experiência dos outros”. Um terceiro adicionou: “Como cliente pagante, prefiro assistir ao filme pelo qual paguei e não a algum exibicionista narcisista tentando criar um momento viral.”

Por outro lado, defensores da dança argumentam que a atitude mostra as pessoas aproveitando a música e contribui para uma atmosfera eletrizante. “Michael Jackson fez música para as pessoas dançarem”, comentou um usuário na plataforma X, enquanto outro descreveu a experiência como “mágica” e como um “revival completo de MJ”.

Este debate sobre a etiqueta no cinema não é novo. No ano passado, um cenário semelhante ocorreu com o filme “A Minecraft Movie”, quando a cena “chicken jockey” levou alguns espectadores a cantar e jogar pipoca. Na ocasião, alguns cinemas emitiram avisos de que “qualquer forma de comportamento antissocial, especialmente algo que possa perturbar outros convidados, como gritos altos, aplausos e berros, não será tolerada”.

O filme “Michael” recebeu três estrelas na crítica da NME, que o descreveu como “um trabalho bem feito: é um anúncio elegante e acessível da fase imperial de Jackson”.

A produção do filme também foi marcada por controvérsias, especialmente em relação às alegações de abuso sexual infantil contra o cantor. Foi reportado que o terceiro ato do filme, que exploraria o impacto das acusações, foi descartado. James Safechuck, um dos acusadores apresentados no documentário “Leaving Neverland” de 2019, divulgou um comunicado em apoio aos sobreviventes de abuso sexual infantil durante o lançamento da cinebiografia. O diretor do documentário, Dan Reed, se manifestou contra “Michael”, afirmando que o cantor era “pior que Jeffrey Epstein” e questionou a omissão das alegações no filme.

https://www.youtube.com/watch?v=3zOLzsbOleM

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(Via: NME)

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