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Há 35 anos, Bruce Dickinson abria caminho fora do Iron Maiden com “Tattooed Millionaire”

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
8 de maio de 2025 5 min de leitura
Bruce Dickinson Tattooed Millionaire.
Foto: Divulgação

Bruce Dickinson iniciou sua carreira solo em 8 de maio de 1990 com o álbum Tattooed Millionaire. A estreia marcou um raro respiro na trajetória do vocalista à frente do Iron Maiden.

O projeto surgiu de forma inesperada. Em 1989, o Iron Maiden decidiu pausar suas atividades após uma década de turnês e gravações sem interrupção. Durante o intervalo, Dickinson recebeu o convite para compor uma faixa para A hora do pesadelo 5. O resultado foi “Bring Your Daughter… to the Slaughter”.

A música contou com a parceria de Janick Gers, então guitarrista do White Spirit e amigo de longa data do cantor. A colaboração se transformou no embrião de um disco. A dupla, que já havia tocado junta em uma apresentação beneficente com o Marillion, aproveitou o momento para compor um álbum completo.

Em apenas duas semanas, gravaram Tattooed Millionaire com o baixista Andy Carr e o baterista Fabio Del Rio. As sessões ocorreram de forma rápida e espontânea. O material apresenta um som mais próximo do hard rock do que do heavy metal. A faixa “Son of a Gun” mostra esse lado mais melódico e dramático.

Já “Born in ’58” retoma temas pessoais da juventude de Dickinson. E “Zulu Lulu” traz versos que remetem ao estilo vocal de Ian Gillan, do Deep Purple. O disco, no entanto, não mantém um único caminho. “Dive! Dive! Dive!” brinca com riffs exagerados e batidas repetitivas, enquanto “Lickin’ the Gun” investe em um ritmo de funk metal.

A faixa-título “Tattooed Millionaire” satiriza celebridades do rock envolvidas com tabloides. “Gypsy Road” aposta em uma estrutura acústica mais contida. O álbum também inclui um cover de “All the Young Dudes”, do Mott the Hoople, composição de David Bowie e considerada uma homenagem respeitosa ao original.

Apesar de ter originado o projeto, “Bring Your Daughter… to the Slaughter” acabou fora do disco. Steve Harris, baixista do Maiden, pediu que a guardassem para o próximo álbum da banda.

A música entrou em No Prayer for the Dying, lançado também em 1990. Foi o primeiro álbum do Maiden com Janick Gers na guitarra, substituindo Adrian Smith. A boa recepção a Tattooed Millionaire acendeu em Dickinson o desejo de explorar caminhos próprios. Três anos depois, ele deixaria o Iron Maiden para seguir carreira solo.

O disco segue como um retrato de uma fase transitória na vida do vocalista, misturando liberdade criativa e distanciamento temporário da banda que o projetou.

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