A canção dos anos 80 que Dave Grohl gostaria de ter escrito

Luis Fernando Brod
5 minutos de leitura
Dave Grohl / Foo Fighters. Crédito: Reprodução.

Dave Grohl nunca se considerou um purista musical. Desde o momento em que pegou uma baqueta e uma guitarra, seu desejo foi usar a música para trazer alegria às pessoas. Isso poderia se manifestar através do universo punk ou mesmo na mais ensolarada canção pop.

Essa abertura é parte do seu carisma. Ele nunca pareceu bom demais para um gênero específico, nem se viu em um pedestal tão alto que o impedisse de explorar diferentes sonoridades. Seja adicionando batidas disco ao Nirvana ou defendendo quase toda música que o fizesse dançar, Grohl demonstra um amor genuíno pela música, independentemente do gênero, categoria ou, mais importante, da percepção alheia.

Por muitos anos, Grohl manteve-se fiel às suas raízes punk. Ele frequentemente menciona nomes menos conhecidos do punk rock que nunca tiveram seu devido reconhecimento, como Naked Raygun. Contudo, ao falar sobre as canções que gostaria de ter escrito, Grohl destacou uma das músicas mais animadas da história da música pop.

Quando questionado sobre as composições que desejava ter criado, Grohl citou “Kids in America” de Kim Wilde. Ele explicou: “Todo garoto punk que eu conhecia estava perdidamente apaixonado por Kim Wilde, e eu também. Foi por isso que gravei minha própria versão de ‘Kids in America’. Isso foi antes de eu entrar no Nirvana, talvez em 1989, e fiz por um capricho”.

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Ao ouvir a versão de Grohl da canção, é possível perceber os primeiros traços do que viria a ser o Foo Fighters. A sonoridade ainda remete ao Nirvana, mas com um toque mais otimista no final. “Kids in America” não é uma música que se possa cantar de forma melancólica sem soar como Elliott Smith. Assim, a escolha de Grohl de levá-la para o mundo punk com um pouco de diversão se encaixa perfeitamente.

Embora “Kids in America” seja hoje parte de programas infantis ao redor do mundo, Kim Wilde também possuía uma veia punk rock na época. Sua sonoridade era mais crua do que a de roqueiras mais fotogênicas como The Go-Go’s ou Madonna.

Além do lado mais leve do rock and roll, Grohl também nutria um apreço pelos heróis de sua cidade natal, Washington D.C.: o Bad Brains. Ao mencionar as canções que gostaria de ter escrito, ele apontou “Sailin On” da banda.

Ele justificou: “Eu era apaixonado pela música deles. Era tão rápida, tão distorcida, tão dissonante. Me dava vontade de beber cem cervejas e quebrar janelas. Se isso não é motivo suficiente para desejar tê-la escrito, não sei o que seria”.

O Foo Fighters nunca se esquivou dessa influência hardcore. No primeiro álbum da banda, Grohl explora o lado mais pesado do rock em músicas como “Weenie Beenie”. Ele até convidou amigos da cena hardcore para a faixa “Feast and the Famine”, do álbum “Sonic Highways”.

Ao discutir as canções que considerava perfeitas, Grohl também retorna aos Beatles. Ele aponta “Imagine” de John Lennon como uma das músicas que o ensinou a tocar. Ele detalhou: “Quando eu era jovem e comecei a tocar guitarra, por volta dos 10 ou 11 anos, eu passava o dia todo dedilhando junto com os discos de John Lennon. Foi assim que aprendi a tocar guitarra. John foi meu professor”.

Embora Grohl tenha nascido e crescido na cena punk de Washington D.C., sua formação musical nunca se limitou ao punk rock mais agressivo. Para ele, tudo se resume ao poder da canção. Seja uma peça pop dos anos 80 ou um caos punk rock, tudo está bem no universo musical de Grohl.

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