A influência duradoura de David Bowie em Madonna: “um gênio de verdade”

Luis Fernando Brod
4 minutos de leitura
Madonna. Crédito: Orion Pictures Corp/Everett Collection

No mapa da música pop contemporânea, Madonna é uma presença incontornável. Amada por uns, contestada por outros, sua importância vai muito além das paradas de sucesso. Ela não apenas acompanhou as transformações da indústria: ajudou a provocá-las. O discurso de que a música pop vive um momento raso ignora um ponto essencial — o gênero sempre se reinventou. Nomes atuais como Billie Eilish e Olivia Rodrigo mostram que existe uma linha direta entre passado e presente, em constante atualização.

Madonna está no centro dessa engrenagem. Poucos artistas ajudaram tanto a definir o que significa ser uma estrela pop em escala global. Sua carreira empurrou o gênero para um território em que música, imagem, performance e provocação caminham juntas. Nunca houve receio em testar limites: figurinos que desafiaram padrões, clipes repletos de simbologia religiosa, sexualidade explícita e uma disposição permanente para causar desconforto. Tudo isso sempre fez parte do pacote.

Essa postura, porém, não nasceu do nada. Madonna sempre deixou claro que seu olhar artístico foi moldado por quem veio antes — e, entre essas referências, nenhuma é tão central quanto David Bowie. Desde o fim dos anos 1960, Bowie se afirmou como um artista impossível de enquadrar. Passou pelo glam rock, pelo art rock, flertou com a música eletrônica e transformou cada fase em um universo próprio. Nem todos os seus discos foram recebidos da mesma forma, mas mesmo os tropeços pareciam fazer sentido dentro de uma trajetória coerente e inquieta.

Foi justamente essa habilidade de se reinventar que Madonna absorveu com precisão. Assim como Bowie, ela sempre deixou claro o que estava tentando expressar, mesmo quando o resultado dividia opiniões. Ambos entenderam que errar também faz parte do processo criativo — e que recuar nunca foi uma opção. Cair, se reorganizar e tentar de novo tornou-se quase um método de trabalho para os dois.

Quando Bowie morreu, em 2016, o impacto foi global. Madonna reagiu rapidamente, publicando uma homenagem que expôs o tamanho da influência que ele exerceu sobre sua vida e sua arte. Ela o descreveu como inspirador, provocador, elegante e muito à frente de seu tempo. Chamou-o de “um gênio de verdade” e deixou claro que vê-lo ao vivo foi uma experiência transformadora, algo que a colocou em uma jornada artística sem fim. As palavras não soaram protocolares — eram o reconhecimento de uma dívida criativa profunda.

Esse tributo ajuda a entender por que Madonna também se tornou referência para gerações seguintes. Assim como Bowie, ela construiu uma obra que não se limita a um período específico, mas continua irradiando influência. A coragem de romper convenções, mudar de pele e desafiar expectativas segue circulando, passando de artista para artista. É uma herança viva, sustentada por quem entende que a música pop só permanece relevante quando se recusa a ficar parada.

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