Mel, maconha e melancolia: o lado sombrio da genialidade de Neil Young

Luis Fernando Brod
3 minutos de leitura
Neil Young. Crédito: Michael Putland/Getty Images.

Se você mergulhar na vasta e muitas vezes confusa discografia de Neil Young, encontrará um período que os fãs e historiadores do rock chamam de “Ditch Trilogy” (A Trilogia da Vala). É um momento onde a música se torna crua, arrastada e profundamente melancólica. Mas o que poucos sabem é que por trás de álbuns icônicos como “On the Beach” e “Tonight’s the Night“, existia uma mistura perigosa que quase destruiu o lendário músico: os “Honey Slides”.

A Receita da Euforia (e do Abismo)

Em um corte recente do podcast Redação Disconecta, os apresentadores exploram uma curiosidade sombria sobre a rotina de Neil Young nos anos 70. Os chamados Honey Slides eram uma combinação de maconha e mel que, segundo relatos da época, induzia um estado de euforia comparável ao da heroína.

Enquanto a erva geralmente trazia um aspecto mais artístico e experimental para bandas como os Beatles, para Young, o efeito foi oposto. A mistura potencializou seu eu mais depressivo, criando uma névoa de tristeza que permeou suas composições. O vício nessa substância não era apenas químico, mas psicológico, servindo como um combustível para uma fase de luto e autodestruição.

Entre Discos e Lutos

O vídeo destaca que o álbum Tonight’s the Night funciona quase como uma “carta de overdose”. Gravado sob o impacto da perda de amigos próximos para a heroína, como o guitarrista Danny Whitten, o disco exala morte e dor. Young estava tão imerso nesse estado que, na faixa “Borrowed Tune”, ele confessa abertamente ter “pegado emprestada” a melodia de Lady Jane (Rolling Stones) simplesmente porque estava “chapado demais” para criar algo novo.

A confusão mental era tamanha que a própria cronologia das gravações de Young se tornou um quebra-cabeça. Discos gravados em 1974 só viriam a ser lançados décadas depois, como Homegrown (2020), refletindo o caos interno de um artista que “se perdia literalmente nos pensamentos”.

O Caminho da Sobriedade

A jornada de Neil Young com as substâncias só começou a mudar drasticamente em 2011, quando decidiu parar de usar maconha para escrever sua autobiografia. Ele percebeu que a memória estava falhando e que precisava da clareza mental para colocar sua história no papel.

O legado dessa fase, porém, é inegável. O uso do pedal steel e as melodias arrastadas criaram um charme melancólico que define o som de Young até hoje. Os Honey Slides podem ter quase destruído o homem, mas ironicamente, ajudaram a moldar algumas das obras mais viscerais da história do rock.

Acompanhe mais histórias sobre os bastidores da música no canal Redação DISCONECTA.

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