Por que isso importa?
Para os fãs de Bad Religion, a fala de Jay Bentley ressalta a atemporalidade e, ironicamente, a frustração com a falta de progresso social. Mostra a integridade da banda em não buscar inspiração na crise, mas sim na condição humana. Para o público que acompanha o artista, é um lembrete de que a banda, mesmo após 40 anos, continua a refletir sobre o mundo, questionando o papel da arte em tempos turbulentos e a superficialidade das redes sociais.
O baixista Jay Bentley, do Bad Religion, expressou sua “depressão” com a contínua relevância das letras da banda, escritas há quase quatro décadas. Em uma nova entrevista a Pancho Reinoso da rádio chilena Sonar FM, Bentley foi questionado se os fãs deveriam estar “felizes ou deprimidos” com o fato de que algumas letras são “mais relevantes do que nunca”.
“Sim, vamos ficar deprimidos. Sim, é sério”, respondeu Bentley. “Greg [Graffin, vocalista do Bad Religion] já disse no palco: ‘Aqui está uma música de 35 anos que ainda é tão significativa hoje’, e isso é uma droga.”
Bentley continuou, explicando que preferiria não ter que criar arte sobre um mundo tão problemático. “Eu trocaria a gravação de outro disco por um mundo onde as coisas não estivessem tão ruins. Eu preferiria não ter que fazer essa arte.”
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Sobre a inspiração para novas músicas, Bentley destacou que o Bad Religion sempre focou na experiência humana, e não em políticas específicas. “O que percebemos que queríamos falar era como é ser um ser humano hoje. Não importava quem era presidente, importava como você se sentia ao acordar de manhã como pai, como estudante, como uma pessoa doente. Como era se sentir marginalizado pelo normal, seja lá o que ‘normal’ for. Então, não é sobre política; é sobre humanismo.”
Recentemente, Bentley já havia comentado sobre um possível sucessor para o álbum “Age Of Unreason”, de 2019. Ele revelou que ele, Brett Gurewitz (guitarrista) e Jamie Miller (baterista) trabalharam em algumas músicas, mas Gurewitz não ficou satisfeito com o resultado. Para mais detalhes, confira a matéria: Jay Bentley, do Bad Religion, discute futuro álbum e necessidade de relevância.
O baixista também criticou o foco em figuras políticas específicas, como Donald Trump, no álbum anterior. “Minha intuição me dizia que não deveríamos estar escrevendo um disco sobre Trump; deveríamos estar escrevendo um disco sobre essas pessoas [que votaram nele].”
Bentley acredita que o mundo está passando por uma “imensa regressão ideológica”, atribuindo a culpa principalmente aos smartphones e à desinformação. “É isso [apontando para o smartphone]. É isso que mudou. As pessoas descobriram: ‘Ah, posso dizer a essas pessoas o que quiser. Posso inventar coisas e fazer as pessoas me seguirem até os poços do inferno’.”
O Bad Religion, formado em 1980, celebrará seu 45º aniversário em 2025. A banda é reconhecida por seu punk rock inteligente e provocador, questionando continuamente fronteiras sociais e autoridades. Seu décimo sétimo álbum de estúdio, “Age Of Unreason”, foi lançado em 2019, abordando teorias da conspiração, comícios racistas, a eleição de Trump e a erosão da classe média.
Em 2020, o Bad Religion comemorou 40 anos de carreira com “Decades”, um evento de streaming de quatro episódios, e lançou sua autobiografia, “Do What You Want: The Story Of Bad Religion”.
(Via: Blabbermouth.net)



