Bruce Dickinson carreira solo enfrentou forte resistência de parte dos fãs de heavy metal depois que o cantor deixou o Iron Maiden em 1993, relembrou o vocalista em entrevista à revista Metal Hammer.
Dickinson contou que se surpreendeu com a intensidade da reação negativa. Segundo ele, muitos admiradores trataram a saída como “traição”, recusando-se a ouvir “Balls to Picasso”, álbum lançado em 1994. “Ninguém daria uma chance, porque o choque de eu não estar mais no Maiden era esmagador”, relatou.
Para o músico, o motivo vai além da qualidade do material: é um sentimento de “torcida organizada” parecido com o de clubes de futebol. “Não entendo esse tribalismo. Gosto de música pelo que ela é, não porque carrega um escudo”, afirmou. A esposa do cantor reforçou a tese na época: mesmo que ele tivesse feito “o melhor disco do mundo”, o público não o escutaria sem o logotipo da banda na capa.
Entre 1994 e 1998, Dickinson lançou quatro álbuns que variaram do hard rock ao metal mais sombrio, mas parte dos admiradores permaneceu presa à formação clássica do Maiden. Paralelamente, a banda seguiu com Blaze Bayley nos vocais, período que também dividiu opiniões.
O retorno de Dickinson e do guitarrista Adrian Smith em 1999 reacendeu a criatividade do grupo e resultou em “Brave New World”, de 2000. “Tudo que aprendi fora foi para o caldeirão”, disse o cantor, sugerindo que a experiência solo, apesar da rejeição inicial, acabou fortalecendo o Iron Maiden.



