Canisso critica reencontro de Digão e Rodolfo do Raimundos

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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Rodolfo Abrantes e Digão (Raimundos)

O falecido baixista Canisso, do Raimundos, descreveu a reaproximação entre Digão e Rodolfo Abrantes em 2020 como um “gesto desesperado”. A declaração, feita no documentário “Andar na Pedra – A História do Raimundos”, revela o ceticismo do músico sobre a sinceridade do reencontro que ocorreu após anos de afastamento entre os ex-companheiros de banda.

Em junho de 2020, durante a pandemia, Digão e Rodolfo Abrantes retomaram o contato após conflitos que se estenderam desde a saída do ex-vocalista do Raimundos em 2001. O reencontro foi anunciado em uma live e, no ano seguinte, uma selfie dos dois marcou o primeiro encontro presencial desde a ruptura. No entanto, a reaproximação não foi vista com bons olhos por todos os envolvidos na trajetória da banda.

Canisso, que faleceu em março de 2023, deixou um depoimento no documentário onde classificou a atitude de Digão como um “gesto desesperado”. Ele sugeriu que Digão buscava apoio em meio às críticas que recebia por suas posições políticas nas redes sociais. “Não tem sinceridade nenhuma, não tem amor nenhum ali, velho. Zero. Sabe o que que foi? Ele se viu isolado, ele falou um monte de merda, ele tava sendo perseguido pela internet, o que ele fez?: ‘vou atrás do Rodolfo, minha última saída'”, disse Canisso.

O baixista também expressou ressentimento, afirmando ter enfrentado dificuldades por 20 anos enquanto os outros seguiam caminhos diferentes. “Pensa bem, eu passei 20 anos me fodendo, literalmente. Porque nenhum dos dois se [foderam], dois filhinhos de papai. Agora vem: ‘meu querido, vamos falar com carinho, vamos falar com amor’. Vão se foder um pouco também, né? Porque só eu que me fodi aqui nessa história. Eu não estou muito na de beijinho e abracinho, não”, completou.

Fred Castro, ex-baterista do Raimundos que deixou a banda em 2007, também demonstrou ceticismo. Para ele, a reconciliação não foi espontânea, mas conveniente para Digão em um momento delicado de sua imagem pública. “Foi uma tábua também de salvação, num momento em que [Digão] estava… estava rolando aquele momento de cancelamento, a gente estava no meio de uma pandemia […]. Acho que tudo meio que rumou pra isso também […]. Eu tenho muito medo de falar sobre isso, mas eu não acho sincero”, afirmou Castro.

O contexto mencionado pelos músicos remete a uma polêmica de maio de 2020, quando Digão publicou uma imagem em seus stories do Instagram comparando o isolamento social da pandemia a uma “amostra grátis do comunismo”. Após a repercussão negativa, ele se desculpou, admitindo que a postagem foi “infeliz e parcial”. Na época, Canisso se manifestou publicamente no X/Twitter, dissociando a opinião individual de Digão da imagem do grupo: “Brother, nenhuma opinião política, religiosa, esportiva, ou sobre qualquer assunto, de qualquer integrante da banda, nunca vai representar a opinião da banda. Fique tranquilo. Ele não representa nossa opinião, ponto.”

O documentário “Andar na Pedra – A História dos Raimundos” está disponível no Globoplay.

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