De técnico do Sepultura a baterista do Rodox: Fernando Schaefer relembra início na banda

Marcelo Scherer
Por
Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
3 minutos de leitura
Fernando Schaefer. Crédito: Podcast Dona Mara.

Em entrevista ao podcast Dona Mara, o baterista Fernando Schaefer revelou detalhes de como foi convidado por Rodolfo Abrantes para assumir as baquetas do Rodox, projeto fundado após a iminente saída do vocalista dos Raimundos. A história marca uma transição ousada na carreira de Schaefer, que na época atuava nos bastidores como técnico de bateria do Sepultura.

A ponte entre os dois músicos foi construída pelo renomado produtor Tom Capone. Schaefer havia gravado recentemente com a banda Pavilhão 9 no estúdio de Tom, que ficou impressionado com o volume e a afinação natural que o baterista conseguia extrair dos tambores. Segundo o relato, Tom Capone afirmou a Rodolfo que a gravação teve tanta “pressão” que ele precisava urgentemente convidar Fernandão para o seu novo projeto.

O encontro decisivo aconteceu de forma inusitada nos bastidores do Credicard Hall (citado de forma bem-humorada por ele), durante uma premiação. Enquanto Schaefer trabalhava para o Sepultura, Rodolfo o encontrou e o chamou para ir até o estacionamento. Dentro de um Jeep Troller, Rodolfo tocou em um CD-R as versões demo de músicas como “Olhos Abertos” e “Estreita”, que até então contavam apenas com baterias eletrônicas programadas. Fernandão ficou impressionado com o peso das composições e aceitou o convite. O entrosamento foi tamanho que, ao entrarem em estúdio, Schaefer gravou todas as baterias do primeiro disco do Rodox em apenas dois dias.

No entanto, ingressar na nova banda exigiu um sacrifício. Igor Cavalera, baterista do Sepultura, avisou que se Fernandão começasse a dividir seu tempo com o Rodox, ele perderia a vaga na equipe técnica. Ganhando um bom salário na época, Schaefer precisou escolher entre a estabilidade nos bastidores ou o risco de estar à frente dos palcos.

Explicando a coragem para dar esse salto na carreira e abandonar a vida de técnico de som, Fernando Schaefer resumiu o momento com a seguinte citação:

“Era uma parada incerta, você estava trocando o certo pelo duvidoso, mas cara, a gente só se vive uma vez, irmão. O bagulho vai dar muito certo, pode ser que não dê, mas então até então foda-se, né? É porque o negócio, cara, você fazer uma turnê você tocando, né, outra coisa é fazer de técnico, mano.”.

Compartilhar esse artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *