Mark Mothersbaugh diz que Brian Eno não entendeu o Devo durante a produção do álbum de estreia da banda em 1978, revelou o vocalista no podcast de Bob Lefsetz.
Segundo Mothersbaugh, o produtor britânico chegou ao estúdio sem prever o nível de controle criativo exercido pelo grupo. Enquanto mixava “Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!”, Eno tentou adicionar camadas extras de sintetizador e até cantos de macacos em “Jocko Homo”. Parte dos backing vocals registrados por Eno e David Bowie foi mantida em “Uncontrollable Urge”, mas muitas sugestões acabaram descartadas.
O cantor contou que, ao transferir as faixas do gravador de 24 canais para o master estéreo, baixava discretamente os faders marcados como “Brian guitar” e “David vocals”. Eno percebia o gesto, mas, de acordo com Mothersbaugh, nunca confrontou a decisão, evidenciando a tensão no estúdio.
Com a parceria enfraquecida, Bowie foi convocado para remixar algumas músicas. Apesar do atrito, o disco lançado em 1978 se consolidou como referência por combinar new wave, punk e art rock de maneira singular.
Antes da experiência conflituosa, Mothersbaugh já admirava Brian Eno. Ele lembra que o solo de sintetizador em “Editions of You”, do primeiro álbum do Roxy Music, foi decisivo para orientá-lo na busca por sons experimentais.



