O mercado brasileiro de música gravada alcançou R$ 3,958 bilhões em faturamento em 2025, alta de 14,1% em relação a 2024. Com o resultado, o país subiu para a 8ª posição no ranking mundial da IFPI, depois de ter sido 10º em 2023 e 9º em 2024.
O crescimento foi puxado pelo streaming, que sustentou a expansão do segmento digital. Segundo o relatório “Mercado Brasileiro de Música 2025”, da Pro-Música Brasil, as receitas digitais somaram R$ 3,4 bilhões, com avanço de 13,2% na comparação anual.
Além do digital, outras linhas de receita também avançaram. Os direitos conexos de execução pública — pagos a artistas, músicos e produtores fonográficos — cresceram 21,9%, chegando a R$ 470 milhões em 2025. O documento ressalta que, embora a arrecadação total do ECAD tenha atingido R$ 2,1 bilhões no ano, 22,38% desse montante é classificado como direitos conexos, fatia diretamente ligada à remuneração por música gravada na execução pública.
As vendas físicas seguem com participação pequena no total do setor, mas tiveram aumento relevante: alta de 25,6%, para R$ 24 milhões, ainda abaixo de 1% do faturamento. O relatório atribui o movimento principalmente ao vinil, impulsionado por colecionadores e fãs. Já a sincronização (licenciamento para publicidade, cinema, séries e jogos) somou R$ 16 milhões em 2025.
No panorama internacional, a Pro-Música aponta que o mercado global de música gravada cresceu 6,4% em 2025, segundo o Global Music Report 2025, da IFPI. Na leitura da entidade, o desempenho brasileiro ficou acima da média mundial e reforçou a maturidade do ecossistema digital no país.
O relatório também dedica espaço a temas que hoje concentram preocupação do setor, como inteligência artificial e fraude no streaming. A Pro-Música defende que o avanço da IA ocorra com regras que garantam autorização, licenciamento e transparência no uso de gravações protegidas, especialmente em treinamentos de sistemas generativos. A entidade afirma acompanhar o debate de regulamentação no Congresso e cita campanhas como “JusticIA” e “Toda criação tem dono. Quem usa, paga”.
Sobre a manipulação de audiência, o documento descreve a fraude em streams como prática que desvia receitas e compromete a confiança no ambiente digital. A Pro-Música afirma que suas ações ajudaram a encerrar mais de 130 sites de impulsionamento artificial nos últimos anos, sendo 60 apenas em 2025, e cita ainda o bloqueio judicial de uma plataforma internacional voltada à venda de manipulação de likes e streams.
Na área de proteção de conteúdo, a Pro-Música destaca o trabalho da APDIF e diz que programas implementados no Brasil permitiram o bloqueio judicial de cerca de 650 websites ligados a download ilegal e stream-ripping, com 280 deles bloqueados em 2025.
Em declaração incluída no relatório, o presidente da Pro-Música Brasil, Paulo Rosa, afirma que o crescimento do país em 2025 foi coerente com a performance da América Latina, apontada como a região de maior expansão percentual. Ele também comenta que a barreira linguística do português tende a reduzir possibilidades promocionais na região, mas sustenta que, mesmo assim, o Brasil segue como o maior mercado latino-americano e com consumo majoritariamente de música nacional.




