Quando o new wave chegou ao Brasil, no início dos anos 80, trouxe consigo uma atmosfera de modernidade. Era um som que misturava sintetizadores, guitarras limpas, estética colorida e um clima que dialogava com a tecnologia, a dança e o humor. O país vivia uma fase de abertura cultural, e a música jovem acompanhava essa transformação com interesse por tendências internacionais, principalmente o que vinha da Inglaterra e dos Estados Unidos.
O new wave brasileiro encontrou espaço nos palcos independentes, mas também no mainstream, tornando-se uma ponte entre experimentação e apelo pop. Gravadoras, rádios e programas de TV perceberam rapidamente que aquele som mais “moderno” tinha tudo para falar com uma juventude urbana, conectada à moda, à linguagem visual e à novidade tecnológica.
A seguir, cinco bandas fundamentais para entender o gênero — e os álbuns essenciais que representam o auge dessa estétic
1. Blitz — As Aventuras da Blitz (1982)
Uma das portas de entrada do new wave para o grande público brasileiro.
As Aventuras da Blitz trouxe humor, teatralidade, letras coloquiais e arranjos que misturavam rock, pop e elementos visuais típicos da época. A banda se tornou um fenômeno nacional ao traduzir para o Brasil uma estética que dialogava com quadrinhos, cultura pop e um espírito leve de renovação.
Álbum essencial: As Aventuras da Blitz (1982)
2. Gang 90 & As Absurdettes — Essa Tal de Gang 90 & Absurdettes (1983)
A Gang 90 foi um dos projetos mais inventivos do new wave brasileiro. A banda misturava influências da cena nova-iorquina, poesia urbana, teclados e um humor inteligente, muitas vezes irônico. Júlio Barroso, líder do grupo, deu ao new wave nacional um ar sofisticado, inspirado por Talking Heads e pela cultura pop alternativa.
Álbum essencial: Essa Tal de Gang 90 & Absurdettes (1983)
3. Metrô — Olhar (1985)
O Metrô representou o lado mais elegante, eletrônico e cosmopolita da new wave. Com forte influência do synthpop europeu, o grupo uniu arranjos dançantes, melodias marcantes e uma estética futurista. Olhar é um dos discos mais alinhados ao que se fazia no exterior: teclados expansivos, vocais delicados e atmosfera urbana.
Álbum essencial: Olhar (1985)
4. Absyntho — Absyntho (1985)
O Absyntho ficou conhecido pelo humor leve e pelo clima descontraído que marcou boa parte da música jovem dos anos 80, mas sua relação com o new wave é evidente no uso destacado de sintetizadores, nas guitarras limpas e na estética modernizada que aproximava pop e rock. O álbum Absyntho (1985) captura bem esse espírito: canções diretas, arranjos claros e uma aura divertida que ajudou a consolidar o grupo como parte importante da renovação sonora da época. O disco sintetiza a proposta da banda de dialogar com a modernidade, mas sempre com um toque irreverente que a tornou reconhecível para o grande público.
Álbum essencial: Absyntho (1985)
5. Magazine — Magazine (1983)
O álbum de estreia do Magazine, lançado em 1983, apresenta a sonoridade que melhor traduz a contribuição da banda para o new wave brasileiro. Com Kid Vinil à frente, o grupo combinava humor, observações diretas sobre o cotidiano urbano e arranjos enxutos que misturavam guitarras leves, teclados discretos e um ritmo ágil que dialogava com tendências internacionais da época. O disco Magazine captura esse momento de experimentação acessível: moderno sem perder simplicidade, irreverente sem cair na caricatura. É um registro fundamental para entender como o gênero encontrou sua expressão no Brasil, equilibrando crítica social, graça e um espírito jovem em plena transformação cultural.
Álbum essencial: Magazine (1985)
Por que esses discos importam
Esses cinco álbuns mostram como o new wave brasileiro percorreu caminhos diversos ao longo da década. A Blitz abriu a trilha mais pop e visual, levando a estética moderna para o grande público. A Gang 90 apresentou um viés mais sofisticado, com referências artísticas que dialogavam com a cena internacional. O Metrô incorporou o lado eletrônico e cosmopolita do gênero, enquanto o Absyntho aproximou essa sonoridade de um público jovem por meio do humor e da leveza. Já o Magazine fez a ponte entre a ironia urbana e o rock que se consolidava nas rádios. Reunidos, esses discos evidenciam que o new wave no Brasil foi mais do que um estilo musical: representou um movimento cultural que refletiu o desejo de renovação, liberdade e modernidade de um país em transição.



