Álbuns de metal que brilharam após discos polêmicos

Luis Fernando Brod
8 minutos de leitura
Iron Maiden - Capa de Brave New World.

No universo do rock, algumas bandas demonstram a capacidade de superar períodos de menor inspiração e retornar com trabalhos de destaque. Este fenômeno é observado em grupos que, após lançamentos menos recebidos, conseguem produzir álbuns que se destacam em suas discografias.

Um exemplo notável é o Judas Priest, que em sua trajetória apresentou momentos de recuperação criativa, entregando obras que foram bem recebidas pelo público e pela crítica.

Outro caso é o Iron Maiden. Após o lançamento de “Virtual XI”, a banda conseguiu reverter a percepção de uma fase menos produtiva com o álbum “Brave New World”. Estes exemplos ilustram a resiliência artística no cenário musical. A Metal Injection fez uma lista com 10 discos que foram sucesso após um fracasso comercial. 

10. Painkiller – Judas Priest

Aqui vai a opinião polêmica da vez: Turbo é um álbum infinitamente melhor do Judas Priest do que Ram It Down. Agora, uma afirmação sobre a qual todos podemos concordar: Painkiller é uma obra-prima absoluta, digna de ficar exposta no Smithsonian. Certo? Não existe disco que diga “ainda temos tudo” com tanta força quanto Painkiller. Enquanto Ram It Down soava clichê e meio sem vida, Painkiller veio como algo autêntico, esmagador, e continua mais feroz do que 99,9% dos álbuns de metal lançados antes ou depois dele.

09. Kreator – Violent Revolution

Sem desrespeito ao Kreator, mas Endorama (1999) é ruim em um nível St. Anger. É aquele típico álbum de “crise de identidade” que tantas bandas de thrash lançaram nos anos 90. Já no novo milênio, o Kreator voltou às suas raízes mais ferozes com Violent Revolution, um retorno à forma simplesmente excelente. Produzido com precisão cirúrgica pelo incomparável Andy Sneap, Violent Revolution é um clássico moderno, explosivo do começo ao fim. Um discaço — e delicioso de ouvir.

08. Autopsy – Macabre Eternal

Quando a capa do seu novo álbum mostra um sujeito com um cocô na boca, talvez seja hora de dar uma pausa. Shitfun não é tão horrível quanto alguns fãs do Autopsy insistem, mas certamente é o ponto mais baixo da banda. Foram 16 anos até que um novo disco aparecesse e, em 2011, o absolutamente insano Macabre Eternal provou que ainda havia muita brutalidade pela frente. Ele fica lado a lado com Severed Survival e Mental Funeral.

07. Megadeth – Dystopia

Chamaram o disco de Pooper Collider… O álbum que o Megadeth lançou em 2013 foi simplesmente terrível, assim como boa parte da discografia da banda no século XXI (embora Endgame seja excelente). Surgiu até a dúvida: será que o grande Dave Mustaine ainda conseguia entregar thrash no nível mais alto possível? A impressão era… talvez não. Mas então veio Dystopia, um tapa na cara de qualquer cético. Tema perfeito na hora certa, com a formação mais forte do grupo desde os anos 90. Um clássico moderno, sem exagero.

06. Children of Bodom – Halo of Blood

Parecia que o Children of Bodom tinha chegado a um ponto criativo bem baixo com Relentless Reckless Forever (2011). Havia alguns riffs legais e Northpole Throwdown era um encerramento divertido, mas os tempos de Follow the Reaper e Hatebreeder já tinham ficado para trás. Aí veio Halo of Blood. Não está no Top 3 da banda, mas trouxe de volta aquele estilo neoclássico acelerado, com uma produção elegante e precisa. A faixa-título é simplesmente devastadora — e basta ouvir os solos no final de One Bottle and a Knee Deep para entender o que esse disco entrega. É um álbum absurdamente subestimado.

05. Overkill – Ironbound

A carreira do Overkill seguiu o caminho inverso ao de muitas bandas clássicas de thrash. Eles lançaram ótimos discos nos anos 90, mas começaram a perder força nos anos 2000 (com exceção de Killbox 13). Só que, quando chegaram os anos 2010… veio Iron Fucking Bound! Um retorno à forma absolutamente impressionante, especialmente depois daquele que talvez seja o pior álbum do grupo, Immortalis (2007). Ironbound é recheado de faixas empolgantes e cheias de energia, como Bring Me the Night e Give a Little, e acabou se tornando o impulso perfeito para o “segundo ato” da banda.

04. Testament – The Gathering

Um verdadeiro arauto da grande retomada do thrash nos anos 2000, The Gathering, do Testament, talvez seja o álbum mais brutalmente thrash já registrado. A produção é absurdamente pesada, Chuck Billy chega a flertar com guturais, Dave Lombardo entrega uma bateria tão maligna quanto nos seus melhores momentos, e Steve DiGiorgio continua sendo aquele presente ridículo de talento que a gente simplesmente não merece. Sério: este disco é um privilégio.

03. Opeth – Pale Comunion

Provavelmente com os melhores guturais já registrados em Watershed (2008), o Opeth abandonou completamente esse estilo vocal em 2011. Foi um momento triste para o metal extremo… mas, caramba, a banda compensou tudo em Pale Communion (2014). O álbum é tão abertamente progressivo e tão bonito que acabou dando certo encerramento ao eterno debate sobre a mudança nos vocais.

02. Exodus – Tempo of the Damned

Imminent (1990) é um disco razoável, mas Force of Habit (1992) marcou uma queda séria para uma das bandas mais ferozes do thrash. Avançando 12 anos no tempo: MEU DEUS, os caras voltaram com tudo! Gary Holt e Tom Hunting não estavam para brincadeira em Tempo of the Damned — é uma das melhores combinações entre guitarra e bateria já registradas em um álbum de metal.

01. Iron Maiden – Brave New World

Este é o melhor álbum de retorno do heavy metal. Brave New World marca uma volta triunfal do Iron Maiden graças à reunião com Bruce Dickinson e Adrian Smith — além da chegada de Janick Gers. É um dos discos de metal mais fortes dos anos 2000, lançado logo após Virtual XI, um dos pontos mais fracos da banda nos anos 90. O álbum é recheado de clássicos, da épica Ghost of the Navigator à subestimada The Thin Line Between Love and Hate.

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