Nos primeiros anos da década de 2000, ainda na época de sua formação, os integrantes do Arctic Monkeys, ainda adolescentes, realizavam seus primeiros shows pela Inglaterra. Era uma época interessante para as vertentes do Rock: enquanto os espólios do Grunge eram disputados pelos grupos de Post-Grunge (que logo perderiam espaço), a bola da vez parecia ser o Pop-Punk de bandas como The Offspring e Green Day, que compartilhavam espaço com as do recém-surgido Emo e logo se confundiriam, ao mesmo tempo que um novo Indie se destacava com The Strokes, The White Stripes e The Libertines.
Simultaneamente a essas apresentações iniciais, começavam a criar suas próprias músicas, que foram registradas de forma caseira e independente em algumas demos, que costumavam dar gratuitamente ao público que atendesse a elas. A ideia era puramente voltada a compartilhar suas criações, fazer as pessoas as conhecerem e poderem cantá-las junto à banda ao vivo.
Isso, por si só, já despertou o interesse na cena Indie e Underground britânica, o que levou o grupo, na época formado por Alex Turner, Matt Helders, Jamie Cooke e Andy Nicholson (que viria a ser substituído por Nick O’Malley ao fim de 2006) a ter faixas disponibilizadas na internet por alguns fãs, que organizaram uma página de grande sucesso no MySpace, apenas aumentando sua visibilidade, criando a coletânea não-oficial Beneath the Boardwalk (composta só por aquelas demos que davam ao fim de seus shows) e garantindo a eles um contrato com a gravadora independente Domino, cujo dono e toda sua atitude cativaram ao quarteto, que foi convencido de que essa era a abordagem certa para sua música.
O movimento seguinte, como esperado, foi ir para estúdio, onde ficaram entre junho e setembro de 2005. Desenvolveram e aprofundaram mais seu som, voltado ao Indie Rock com a influência crua do Garage Rock e pitadas de Post-Punk, Post-Britpop e alternativo em um trabalho que, embora não seja conceitual (por mais que haja quem acreditou nisso na época), traz letras sobre a juventude e a vida noturna nos clubes britânicos por diversos ângulos, portando a assinatura de um Alex Turner com meros 19 anos na época que as escreveu.
Lançado há 20 anos, em 23 de janeiro de 2006, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not Not, a estreia completa do Arctic Monkeys, teve seu título tirado de uma fala do livro de Tudo Começou num Sábado, escrito pelo britânico Alan Stilltoe em 1958, posteriormente adaptado para os cinemas e o teatro. Sua capa, um retrato em preto-e-branco de Chris McClure, amigo do grupo, enquanto fumava, se tornou icônica, mas também causou polêmica, com alguns, inclusive ligados à área da saúde, entendendo promover o uso de cigarro, o que foi negado por eles.
O álbum traz um som feito para não deixar ninguém parado, não só dançando, mas se movimentando como pode, e suas diversas influências lhe dão contornos peculiares de agito, agilidade e uma leve agressividade aliada a rispidez. Muitas de suas músicas ficaram marcadas na trajetória do quarteto, como é o caso dos 2 singles, I Bet You Look Good on the Dancefloor e When the Sun Goes Down, e também de outras como Mardy Bum, Fake Tales of San Francisco, Dancing Shoes, a abertura The View from the Afternoon, From the Ritz to the Rubble e A Certain Romance.
Não a toa, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not Not foi um gigantesco sucesso de crítica e público, conquistando tanto elevadas avaliações pelos veículos especializados como grandes números de vendas, em uma época já de maior presença da internet e o compartilhamento on-line (que lhes garantiu em parte a popularidade). E pensar que esse era só o começo para o Arctic Monkeys que, ainda que seu estilo posterior tenha desviado — e muito — do apresentado aqui, começava sua trajetória rumo à dominação global com a melhor das impressões.




