Fun Lovin’ Criminals – 30 anos de “Come Find Yourself”

Álbum de estreia dos nova-iorquinos foi lançado em 20 de fevereiro de 1996, e merece ser revisitado.

Virgilio Migliavacca
4 minutos de leitura
Capa do álbum "Come Find yourself" do Fun Lovin' Criminals.

Analisando do ponto de vista comercial — ainda que numa projeção mínima —, com participação em programas de TV, maior frequência em rádios e sem tanta necessidade de encaixe em nichos, os anos 90 foram um dos períodos mais diversos da música mundial. Parece estranho dizer isso numa época em que toda a música do universo está disponível na palma da mão e quando a tônica parece cada vez mais ser a de borrar as fronteiras entre gêneros e subgêneros.

Apesar disso, a impressão é que hoje em dia ou temos o Bad Bunny no Super Bowl, ou então bandas shoegaze/pós-punk extremamente restritas a um tipo muito específico de público.

Cada período tem suas particularidades e, sem recorrer à nostalgia barata, é muito bom poder retornar 30 anos no tempo para celebrar a estreia de um grupo com uma sonoridade absolutamente particular: o Fun Lovin’ Criminals.

A banda, formada em 1993 em Nova York por Huey Morgan (guitarra e vocais), Brian “Fast” Leiser (baixo, teclados, trompete e harmônica) e Steve Borgovini (bateria), lançou seu álbum de estreia, Come Find Yourself, em 20 de fevereiro de 1996, pela Chrysalis Records.

A sonoridade do grupo era precursora de algo que hoje se tornou comum: a mistura de múltiplos elementos. No caldeirão sonoro dos Criminals surgem o rap, o funk, a soul music (com direito a homenagem explícita a Barry White), música latina, blues e rock, tudo embalado em um conjunto coeso de canções com arranjos elegantes e bem produzidos, que por vezes remetem a discos de sophisti-pop ou soft rock.

Nas letras, a malandragem das ruas: histórias sobre assaltos, assassinatos e episódios correlatos, sempre com uma conexão direta e bem-humorada com o gangsta rap que fazia enorme sucesso na época.

Com esse disco, o grupo alcançou um sucesso moderado com singles como “The Grave and the Constant”, “The Fun Lovin’ Criminal” e, principalmente, “Scooby Snacks”, que obteve boas posições nos charts tanto dos Estados Unidos quanto do Reino Unido —onde a banda acabaria realizando diversas turnês de sucesso ao longo da carreira.

Mesmo sem jamais atingir um sucesso verdadeiramente massivo, é notória a apresentação do trio no clássico festival inglês de Glastonbury, em 1999, quando nem o próprio Huey Morgan parece acreditar no nível de empolgação do público.

Fun Lovin’ Criminals executando seu maior hit, Scooby Snacks, no Glastonbury 1999.

O grupo ainda lançaria um belo segundo disco em 1998, sugestivamente intitulado 100% Colombian, além de mais quatro álbuns de estúdio com bons momentos, embora sem o mesmo brilho e projeção dos dois primeiros. Após um longo hiato discográfico, a banda retornou apenas em 2025 com A Matter of Time, já sem Morgan e com uma formação completamente diferente da clássica. O álbum soa como uma válida tentativa de revisitar o que houve de melhor na trajetória do grupo, além de colocá-los de volta na estrada. Vale muito a pena ouvir não apenas esse último lançamento, mas também — e principalmente — pegar uma boa bebida, e se esbaldar com a clássica, embora não tão comentada, estreia desses criminosos amantes da diversão.

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