Metallica: os 40 anos de “Master of Puppets”

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Capa de Master of Puppets; foto: reprodução

O Metallica se encontrava em bom momento após o lançamento de Ride the Lightning, de 1984: chamavam a atenção de um público cada vez maior, faziam shows lotados e eram aclamados pela crítica, que rasgou elogios para o que fizeram no trabalho. Essa repercussão toda também se refletiu nos aspectos comerciais, com o disco conquistando boas vendas, o que chamou a atenção de outras gravadoras, ao ponto de a Elektra Records chegar a um acordo com eles para as 8 gravações seguintes.

Todo esse bom momento também motivou os então rapazes, formados pelo quarteto James Hetfield (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Cliff Burton (baixo) e Lars Ulrich (bateria), que deixaram suas ambições darem as caras e tiveram a ideia de criar um álbum tão bom e marcante que impressionasse tanto os críticos quanto o público. Isso levou Hetfield e Ulrich a começarem a compor já em meados de 1985, tendo estabelecido o título Master of Puppets previamente. E essa seria a 1ª vez que escreveriam sem nenhuma participação prévia de Dave Mustaine, já fora da banda desde 1983 (embora diga ser coautor de Leper Messiah¸ ainda que os demais neguem).

Com ensaios iniciados, os integrantes buscaram se aprimorar ao máximo antes das gravações, com Ulrich fazendo algumas aulas de bateria e Hammett trabalhando com Joe Satriani, seu ex-professor, em como gravar de forma mais eficiente. Também buscaram alguém para atuar como produtor, com acordo sendo estabelecido com Geddy Lee, do Rush, mas sem ir para frente por agendas conflitantes.

Insatisfeitos com a acústica dos estúdios dos EUA que consideraram usar, decidiram ir para a Dinamarca, terra-natal do baterista, usando o Sweet Silence Studios em Copenhague, capital do país, trazendo Flemming Rasmussen novamente para produzi-los, após o trabalho feito no anterior. Buscaram não exagerar na produção, assim como na bebida, permanecendo sóbrios durante todo o processo, que se deu entre 1º de setembro e 27 de dezembro do mesmo 1985, com trabalhos acontecendo de forma fluida. A mixagem, por sua vez, embora iniciada pelo grupo com o produtor, fico sob encargo de Michael Wagner.

Lançado em 3 de março de 1986, há 40 anos, Master of Puppets mostrava uma clara evolução sonora do Metallica: por mais que suas faixas ainda soassem pesadas, rápidas e agressivas, havia maior variação rítmica, com compassos acelerados dando espaço para outros mais lentos e melódicos em diversas ocasiões. Além disso, desenvolveram músicas mais longas que, em muitos momentos, até flertavam com elementos progressivos, algo que seria aprofundado no seguinte, …And Justice For All, de 1988.

As letras, por sua vez, abordavam temas que iam desde questões sociais, como controle e abuso de poder, agressividade, alienação, opressão, violência, uso da juventude em guerras, hipocrisia religiosa e abuso de drogas, até referências literárias, com base nas histórias sobre Cthulhu, de H.P. Lovecraft (já presentes no anterior, na instrumental Call of Kthulhu), e também no livro que deu origem ao clássico filme Um Estranho no Ninho, estrelado por Jack Nicholson em 1975.

Com mais de 8 milhões de cópias vendidas só nos EUA ao longo dos anos, sendo certificado 8 vezes com o Disco de Platina, o álbum foi aclamado por crítica e público, com muitos considerando-o o melhor já produzido pela banda até hoje. Curiosamente, não lançaram clipes para divulgação, preferindo excursionar com Ozzy Osbourne ao invés disso (o que se provou acertado, pois só aumentou sua popularidade).

De qualquer forma, clássicos atemporais surgiram de sua tracklist: não bastando sua faixa-título, ele também traz Battery, Welcome Home (Sanitarium), The Thing That Should Not Be, Disposable Heroes, a já citada Leper Messiah, o encerramento com Damage Inc. e a instrumental Orion, que conta com solo de baixo por parte de Burton.

Infelizmente, essa seria sua última participação em qualquer trabalho, já que a banda viria a sofrer um acidente de ônibus em 27 de setembro daquele mesmo 1986 que, embora não tenha causado maiores danos físicos aos demais membros, acabou sendo fatal para o baixista, que foi arremessado para fora do veículo. Até hoje, muito se especula quais os rumos que seguiriam caso isso não tivesse ocorrido, mas uma coisa é certa: Master of Puppets gravou o nome de Cliff Burton e do Metallica para sempre na história da música.

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