Peter Criss, o eterno Catman, retornou após 18 anos, desde seu último lançamento, One For All.
Com o novo trabalho, o que pegou algumas pessoas de surpresa já que a carreira solo do Peter é algo “esquecida”, não tanto quanto a de Gene Simmons.
O sexto de sua carreira, o auto-intitulado chega com um “quadro de funcionários” bastante brilhante, diga-se de passagem: Billy Sheehan (Mr. Big), Piggy D. (Rob Zombie) assumindo os baixos, John 5 (Marilyn Manson, Rob Zombie, Mötley Crüe) e Mike McLaughlin nas guitarras, Paul Shaffer no piano, Cat Manning, Sharon e Dennis Collins no backing vocal.
Em comparação com o seu primeiro álbum, também Peter Criss, enquanto ainda membro do Kiss, dos (querendo ou não) clássicos solos de 1978, Peter Criss toma a iniciativa de estar mais pesado. Enquanto o primeiro era mais limpo, levado pelo lado do rhythm and blues e soul, neste guitarras estão mais destacadas, baterias marcantes. Contudo, como Peter é amante do R&B/soul, você pega algumas referências.
A fonte de Peter Criss pode ter dado uma secada nos últimos tempos, com pequenas aparições em reuniões da Kiss Army, mas chega a ser empolgante ouvir seu novo trabalho.
Peter Criss – Faixa a Faixa
Rock, Rockin’, Rock & Roll é como uma tentativa de um hino. Do mesmo modo que não surpreende tanto, também não deixa de ser legal. In The Dark segue com uma bateria e guitarra suingada, enquanto For The Money tem um ar cansativo com os backing vocals de “For The Money, Do It For The Money“. Se for depender dessa faixa, não tem dinheiro. Desculpe, Peter…
Murder segue na base do hard rock balada e Walking On Water também vai seguindo o fluxo.
Ainda há uma essência do Kiss correndo pelas veias, é perceptível, mas com uma sensação de estar presa. A sensação de “Ainda está aqui, mas quero fazer o meu longe disso”, sabe?
Algo que não pode se deixar passar é o quanto a voz de Peter mudou. Sim, envelheceu, nós sabemos… Mas depois de tantos anos sem lançar nada chega a assustar, mas não é algo para se preocupar. Peter era (você querendo ou não) uma das vozes mais legais do Kiss e mesmo mais cansada e rouca, não tira tanto o brilhantismo.
Creepy Crawlers tem total dedo de John 5. É fácil imaginar Manson e Zombie cantando na faixa.
Justice já inicia mostrando-se uma das mais pesadas do álbum. Com riffs e licks que lembram o saudoso Ace Frehley, é até engraçado pelo nome da faixa, Justiça, já com tudo que os dois tiveram que aturar na época do Kiss.
Cheaper To Keep Her e Sugar já entrega a influência de Paul Shaffer que, pra quem não sabe, é o tecladista careca do programa do David Letterman. Aliás, um pianista sensacional, diga-se de passagem. Em Sugar é entregue um blues de alto padrão, o que é um prato cheio principalmente para a voz de Peter.
Rubbernerckin’, a mais curta do álbum, entra na pegada do country rock enquanto Hard Rock Knockers, liberada como uma faixa bônus, fecha o álbum no hard rock.
Há muitas passagens nos álbuns que te dá a sensação de Ace Frehley estar presente no álbum, o que infelizmente não é. Mas seria o máximo.
Peter Criss lançou durante sua carreira solo álbuns medianos (ou até ruins, sendo sincero). Este está recebendo críticas, mas é divertido de se ouvir. É ver que Peter ainda tem alguma lenha para queimar… O verdadeiro Catman ainda tem algumas vidas no bolso para gastar. Que Peter não desacelere. Diferente do termo “a curiosidade matou o gato”, Peter Criss está vivo e com algumas cartas na manga.



