Stone Temple Pilots – 30 anos de Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop.

Virgilio Migliavacca
Por
Virgilio Migliavacca
Com 10 anos na área de financiamento a projetos culturais pelo Governo do Estado do RS é Crítico musical com foco na energia dos palcos e...
4 minutos de leitura
Capa de Tini Music...Songs from a Vatican Gift Shop

Quando o Stone Temple Pilots lançou Core em 1992, era como se o pós grunge fosse fundado antes mesmo do grunge morrer. A recepção crítica foi dura, apesar do sucesso comercial resultante do single Plush. Se sentindo subestimada, a banda veio com muito mais identidade e confiança em Purple (1994). Era possível visualizar um futuro com de estabilidade na vida do grupo formado por Scott Weiland (vocais), os irmãos Robert (baixo) e Dan de Leo (guitarra) e Eric Kratz (bateria). Mas ela não veio.

Desde uma turnê com o Butthole Surfers em 1993, Weiland se via às voltas com problemas relacionados ao uso de heróina. Durante o processo de composição de Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop (1996), Scott afundava cada vez mais no vício, culminando com sua prisão em 1995. Ainda assim, o grupo conseguiu se organizar ao lado do produtor Brendan O’Brien novamente, e encontrou um caminho criativo inesperado. Gravado no rancho Westerly, em Santa Ynez, Califórnia, o álbum é, acima de tudo, um refinamento da proposta do disco anterior: destaque especial para os timbres de guitarra de Dean DeLeo, que aqui atingem um nível de sofisticação raro no rock alternativo da época.

Arquivo pessoal Virgilio Migliavacca

Depois da rápida vinheta de abertura Press Play, o que se segue é um trabalho que amplia o leque de sonoridades da banda, com ecos de Glam Rock, mas sem perder o peso característico do grunge. Sobre essa base, Weiland escreve e interpreta letras cada vez mais tomadas pela paranoia com a fama — provavelmente amplificada após a morte trágica de outro notório junkie da época: Kurt Cobain. Em Trippin’ on a Hole in a Paper Heart, Scott canta “I’m not dead and I’m not for sale”, talvez com medo de repetir o destino do colega de Seattle. Se em Core havia uma incômoda – e justa – comparação entre sua performance e a de Eddie Vedder, aqui ela se desfaz totalmente. Até sua performance de palco se transformou nessa época, como pôde ser visto em apresentação no programa de David Letterman.

Musicalmente, Tiny Music… mostra toda a versatilidade dos irmãos De Leo, com direito a um inesperado arranjo bossa nova em And So I Know e uma bela intervenção de trompete em Adhesive. Curiosamente, enquanto a identidade artística se expandia, o sucesso comercial diminuía, muito por conta do comportamento errático do vocalista, o que dificultou muito a promoção do disco, apesar da boa rotação de“Big Bang Baby” na MTV. Resultado é que logo no ano seguinte o STP já entraria em hiato (um dentre tantos que viriam) e os irmãos DeLeo seguiram com o projeto paralelo Talk Show, que, sem o magnetismo do frontman de sua banda original, passou quase despercebido.

Arquivo pessoal Virgilio Migliavacca

Como se sabe, Weilland ainda penaria vários anos com seus problemas, vindo a falecer em 2015. Hoje em dia o STP segue tocando e lançando discos, agora com Jeff Gutt nos vocais. Tiny Music…, como muito do que envolve a carreira do grupo, segue como uma obra subestimada, inclusive sendo pouco contemplado no repertório ao vivo da banda. Uma pena: poucos discos do rock dos anos 90 envelheceram tão bem.

Talvez por ser a primeira banda pós-grunge, o Stone Temple Pilots foi também a primeira a se livrar do famigerado rótulo, e com o disco de 1996 encontrou uma forma de ser maior e mais interessante do que jamais havia sido.

Compartilhar esse artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *