Living Colour – Bar Opinião – Porto Alegre, 26/02/2026.

Virgilio Migliavacca
3 minutos de leitura
Foto: Virgilio Migliavacca

“Qual a sua cor favorita?” Cores vivas.

E vivos nos sentimos na noite de 26 de fevereiro, no Bar Opinião, com um ótimo público reunido para receber, pela terceira vez em Porto Alegre, o Living Colour. O grupo, que costuma vir com certa frequência para o Brasil, não passava pela capital gaúcha desde 2009 — tempo demais para uma cidade que anda carente de shows internacionais de rock e pop, sobretudo os de médio e pequeno porte.

O show começa com Leave it Alone, de Stain, o disco de 1993 que talvez seja o mais divisivo da primeira fase da banda. É uma mais pesada, menos calcadas no groove que se espera dos americanos. Mas logo vêm as músicas dos dois primeiros e mais celebrados trabalhos, Vivid (1988) e Time’s Up (1990).

Os músicos, como todos já sabem, são exímios instrumentistas. Cada um teve seu momento de brilho, para além do conjunto incrível que formam. Vernon Reid, guitarrista e líder fundador, continua tirando sons que parecem impossíveis. O baixista Doug Wimbish e o baterista William Calhoun tiveram direito a momentos solo e Corey Glover, mesmo sem a mobilidade de outros tempos, mantém a voz praticamente intacta.

Foto: Virgilio Migliavacca

A turnê celebra os 40 anos da banda. Mesmo assim, infelizmente não há espaço para os discos da segunda fase, com discos lançados de 2003 em diante. São bons trabalhos, que infelizmente não tiveram a repercussão que mereciam. Ainda assim, só o repertório da noite já impressiona, tendo em vista que apesar de ter bons discos no currículo, é ao vivo que o Living Colour mostra realmente a que veio.

Após encerrar o set inicial com o maior hit, Cult of Personality, o bis ainda traria uma versão solta e descontraída de Solace of you e uma cover do clássico Should I Stay or Should I Go, do The Clash.

Em tempos em que até um dos maiores astros do futebol mundial ainda enfrenta episódios de racismo rotineiramente, é impossível não pensar na trajetória do Living Colour. Uma banda formada por músicos negros tocando um rock pesado, virtuoso e politizado, que foi — e ainda é — subestimada de maneira quase criminosa. Hoje têm um tamanho menor do que merecem. No palco, porém, a verdade aparece: são maiores do que muitos contemporâneos que lotam arenas e que não conseguem entregar metade da intensidade que eles entregam.

Há conversas sobre um novo disco sendo gravado. Que não demorem tanto tempo para voltar a Porto Alegre. E que continuem, por muitos e muitos anos, deixando os nossos dias mais vivos.

Foto: Virgilio Migliavacca
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