Ritchie Blackmore reflete sobre 50 anos de “Rising” do Rainbow e sua saída do Deep Purple

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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Rainbow. Matt Wardlaw
Por que isso importa?

Para os fãs de hard rock e heavy metal, a reflexão de Ritchie Blackmore sobre "Rising" é crucial. O álbum, que completa 50 anos, marcou a transição de um guitarrista visionário do Deep Purple para um novo som. A parceria com Ronnie James Dio não só definiu a identidade do Rainbow, mas também solidificou as bases para o heavy metal melódico, influenciando gerações de músicos e bandas que seguiram esse caminho.


Em uma entrevista rara e exclusiva, o guitarrista lendário Ritchie Blackmore refletiu sobre os 50 anos de “Rising”, o segundo álbum do Rainbow. Ele abordou sua saída do Deep Purple e a formação da nova banda com Ronnie James Dio, que é celebrada no novo box set “The Temple of the King: 1975-1976”.

Blackmore expressou seu cansaço com o que chamou de “comitê” que o Deep Purple havia se tornado, repleto de “egos” e “cinco respostas diferentes” para cada problema musical. Ele admitiu que fazia parte do problema, mas sentia a necessidade de uma mudança.

O box set “The Temple of the King: 1975-1976”, disponível para pré-venda na Demon Music Group, oferece uma imersão profunda nos dois primeiros álbuns do Rainbow: “Ritchie Blackmore’s Rainbow”, de 1975, e “Rising”, lançado em 1976.

Na entrevista, Blackmore compartilhou histórias inéditas, incluindo o motivo pelo qual foi substituído no palco por uma noite em San Antonio pelo futuro baladeiro Christopher Cross, um episódio que ele detalhou pela primeira vez. Para mais informações sobre esse evento, confira: Ritchie Blackmore relembra show do Deep Purple em que foi substituído por Christopher Cross.

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O guitarrista também revisitou seus problemas de saúde recentes na primeira parte da entrevista, explicando como se sente agora e sua decisão de deixar o Deep Purple. Saiba mais sobre sua saúde e planos futuros em: Ritchie Blackmore detalha problemas de saúde e discute retorno aos palcos e box set do Rainbow.

Blackmore descreveu a facilidade de trabalhar com Ronnie James Dio, destacando que “nunca houve um desafio na equação” entre eles. Dio, sendo um ex-trompetista de orquestra, era “muito musical” e “muito rápido para escrever letras”, embora Blackmore admitisse não entender algumas delas, como “Man on the Silver Mountain”.

Ele ficou particularmente impressionado com as interpretações de Dio para suas ideias, que traziam uma “melodia tipo renascentista, de 1500”, contrastando com o som usual do heavy metal. Blackmore notou que Dio “poderia escrever uma música tão rapidamente” que gastava mais tempo assistindo beisebol.

Sobre a gravação do primeiro álbum do Rainbow, Blackmore admitiu que foi “complicado” e feito em apenas três semanas, sem um estilo definido. “Eu não tinha nada resolvido, quase nada. Eu não sabia o que estava fazendo”, disse ele, explicando que o resultado foi uma mistura de músicas melódicas e pesadas.

No entanto, para “Rising”, a abordagem foi diferente. Blackmore tinha uma visão mais clara, buscando um som “mais pesado, mas com um acento na melodia”, como exemplificado em “Stargazer”. Ele sentiu que Ronnie James Dio também estava se consolidando, e a adição de Cozy Powell na bateria foi ideal para a banda, que se transformava em um grupo de hard rock. “Eu estava me sentindo muito mais confortável em estúdio”, acrescentou.

Blackmore revelou que a raiva era uma força motriz para as performances ao vivo do Rainbow. Ele adora improvisar no palco e variar as músicas para “manter as pessoas em alerta”, incluindo a si mesmo. “A raiva que estávamos expressando para o público, e o público estava absorvendo isso”, explicou. Ele via a música como uma “válvula de escape” para a raiva coletiva, especialmente para aqueles que se sentiam “fartos” do tratamento recebido na vida cotidiana. “Com três caras zangados, estávamos meio que nos esforçando para expressar nossa música que sentíamos que não estava sendo ouvida o suficiente no rádio”, concluiu.

(Via: Ultimate Classic Rock)

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