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Resenhas de Shows

Uma noite como justiceiro, menestrel. 50 anos de carreira em Porto Alegre

Redação Disconecta
Redação Disconecta
2 de junho de 2025 5 min de leitura
Zé Ramalho. Crédito> Eliane Souza.
Foto: Divulgação

Na tela grande do cinema, fui justiceiro, menestrel. A minha vida é um poema que escrevi com sangue e fel.” Estes versos nos transportam para um mundo infinito de possibilidades e histórias, traduzindo a alma do trovador Zé Ramalho, na música “O Rei do Rock, do álbum “Parceria dos Viajantes”. E foi nesse mundo que ele abriu caminhos para o Brasil e além, seguindo por uma trajetória de 50 anos, celebrada na última noite, 30 de maio, no Araújo Viana, numa produção da Opinião.

O inverno chegou, na prática, aos solos sul-riograndenses, mas não foi suficiente para congelar o público, que quase lotou o auditório. Tampouco foi capaz de esfriar o coração quente do nosso nordestino, vindo diretamente das terras da Paraíba para agitar seus seguidores em solo gaúcho.

Logo no início do show, por volta das 21h15, o público foi presenteado com a clássica e mística “A Dança das Borboletas”, do álbum de estreia de 1978 — um hino à beleza da transformação, à leveza da esperança e à renovação. Elementos sempre presentes no modus operandi musical do cantor, que não parece se render ao tempo. Aos 75 anos, Zé Ramalho não dá sinais de cansaço ou desgaste, e sim de imensa vontade de usar a música como ferramenta para expressar seus pensamentos. Foi assim em “Avôhai” e também na versão brasileira de “Things Have Changed”, de Bob Dylan, que virou “Tá Tudo Mudando”, e ajudou a aproximar um novo público do artista americano.

Pessoalmente, foi a primeira vez que o assisti ao vivo. Presenciei aquela voz cavernosa, o timbre grave que sempre me irradiou por meio de versos poéticos, conectados com misticismo, amor, morte, espiritualidade, política — temas que poucos artistas conseguiram moldar com tamanha identidade. Zé Ramalho os transporta com naturalidade por ritmos diversos como forró, frevo, folk, rock e psicodelia.

Ele falou pouco, mas foi simpático com o público — que, em sua maioria, parecia mais interessado em registrar o show com celulares do que em vivê-lo de fato. Uma realidade triste e superficial que, infelizmente, se intensifica no comportamento social, sobretudo na geração “bebê reborn” de hoje.

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