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Redação Disconecta

30 anos de A TEMPESTADE OU OS LIVRO DOS DIAS do LEGIÃO URBANA | RD 130

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30 anos de A TEMPESTADE OU OS LIVRO DOS DIAS do LEGIÃO URBANA | RD 130
Foto: Divulgação

No episódio 130 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Luis Fernando Brod, Marcelo Scherer e Virgílio Migliavacca, junto aos convidados Rafa do Cultural Mundo e N A Deriva e Júlio, mergulham fundo na história de A Tempestade ou O Livro dos Dias. O álbum de despedida do Legião Urbana, lançado em 1996, completa 30 anos em 2026 e é revisitado em uma conversa emocionante sobre seu contexto, produção e o impacto duradouro de uma obra marcada pela melancolia e pela iminente partida de Renato Russo.

O disco, que chegou às lojas após três anos sem um trabalho de inéditas da banda, reflete o momento delicado da vida de Renato Russo, que já havia descoberto o vírus da AIDS. Lançado em 20 de setembro de 1996, apenas um mês antes de seu falecimento, A Tempestade ou O Livro dos Dias é permeado por temas como solidão, amor, perda, intolerância e finitude. Produzido por Dado Villa-Lobos e a própria banda no estúdio AR, com o auxílio de Tom Capone, o álbum inicialmente seria duplo, mas apenas 15 das 36 músicas gravadas foram selecionadas.

A gravação do álbum foi conturbada, com a voz de Renato já fragilizada. Há controvérsias sobre os bastidores, com relatos de uma briga entre Dado Villa-Lobos e Renato Russo, que alguns interpretam como uma “cortina de fumaça” para justificar a ausência de Renato no estúdio devido à sua saúde debilitada. A voz guia de “Via Láctea” precisou ser regravada, e Dado revelou que a maioria dos vocais foram primeiros takes, capturando a essência do momento frágil do vocalista.

Durante o faixa a faixa, os participantes compartilham suas impressões. Rafa, nascido em 1998, lembra a estranheza inicial com a voz de Renato em “Natália”, enquanto Júlio, que tinha 16 anos em 1996, conta a marcante experiência de comprar o CD um dia antes da notícia do falecimento de Renato. Músicas como “Longe do Meu Lado” são destacadas pela beleza e melancolia, e “Via Láctea” é reconhecida como um “diário de despedida”, com versos como “faz três semanas que a carta chegou” ganhando um significado profético.

Outros pontos altos incluem “Aloha”, que traz a assinatura musical da banda, e “16”, baseada na história de James Dean e um estudante de Brasília. A canção “Primeiro de Julho”, originalmente escrita para Cássia Eller, foi incluída no disco em uma versão demo de fita cassete. A música “Esperando Por Mim” é elogiada pela produção e pela carga emocional, com Brod e Rafa a considerando uma das mais tristes e bonitas do álbum, evocando a sensação de créditos finais de um filme.

Apesar de não ser um álbum de muitos hits e de ter uma produção que alguns consideram “desleixada”, A Tempestade ou O Livro dos Dias vendeu quase 1 milhão de cópias e se tornou um dos discos mais vendidos de 1996, impulsionado pela fatalidade da morte de Renato Russo. A discussão levanta a polêmica de que o culto ao disco pode estar mais ligado à partida do vocalista do que à sua qualidade musical intrínseca, mas todos concordam que a obra é um espetáculo de poesia e emoção, um “canto do cisne” que ressoa profundamente com os fãs.

Não perca este bate-papo aprofundado sobre um dos álbuns mais emblemáticos do rock nacional. Assista ou ouça o episódio completo do Redação DISCONECTA para reviver as histórias e os sentimentos que envolvem A Tempestade ou O Livro dos Dias e a trajetória inesquecível de Renato Russo e do Legião Urbana.

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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