30 anos de MTV UNPLUGGED do ALICE IN CHAINS | RD 123
No episódio 123 do podcast Redação DISCONECTA, Virgílio Migliavacca e o convidado Maurício Silva mergulham em uma celebração especial: os 30 anos de um dos mais icônicos álbuns acústicos da história da música, o MTV Unplugged do Alice in Chains. Nesta edição, a dupla assume o barco, prometendo um bate-papo aprofundado sobre a banda grunge de Seattle e o legado de seu memorável show.
O episódio destaca o contexto singular em que o MTV Unplugged foi gravado. A banda, que vinha de um longo hiato e enfrentava tensões internas e com a mídia, estava em um momento de incerteza. Layne Staley, o vocalista, passava por sérios problemas com drogas, e a probabilidade de o grupo tocar ao vivo novamente era quase nula. O disco Tripod, lançado poucos meses antes, já refletia essa atmosfera de isolamento e receio, com a mídia explorando a situação de Layne para criar tabloides, o que só piorava a pressão sobre o vocalista.
Apesar do cenário caótico, o Unplugged se tornou um marco. O programa explora como o Alice in Chains, conhecido por sua sonoridade pesada e influências do metal, já havia explorado o formato acústico em EPs como Sap (1992) e Jar of Flies (1994). O Jar of Flies, em particular, é elogiado por sua autenticidade e melodia, alcançando o primeiro lugar na Billboard e mostrando a versatilidade da banda em arranjos acústicos. Essa experiência prévia preparou o terreno para o sucesso do Unplugged, que se destacou pela harmonização das vozes de Layne Staley e Jerry Cantrell.
O bate-papo revela detalhes curiosos e desafiadores da gravação. O guitarrista Jerry Cantrell, por exemplo, sofreu de intoxicação alimentar no dia do show, tendo um balde ao seu lado no palco. Além disso, o engenheiro de som Toby Wright revelou que a música Sludge Factory precisou de vários takes devido ao nervosismo de Layne Staley, que se sentia desconfortável com a audiência e a pressão da gravadora. A iluminação e a cenografia, com cores quentes e frias, foram pensadas para refletir o mistério, a introspecção e a chama que ainda existia na banda, mesmo em meio à melancolia.
O MTV Unplugged do Alice in Chains é descrito como uma apresentação emocionante e íntima, que uniu a banda e o público em um momento de camaradagem e descontração. Músicas como Nutshell e No Excuses são destacadas como pontos altos, mostrando a capacidade do grupo de traduzir sua intensidade para o formato acústico. Apesar de não ter sido a intenção inicial, o show acabou se tornando a última grande apresentação de Layne Staley com a banda, que viria a falecer em 2002, tornando o Unplugged um legado histórico.
Os participantes ressaltam que o Alice in Chains, como muitas bandas de sua geração, não estava preparado para o nível de exposição e as pressões da indústria musical da época. Mesmo assim, o Unplugged foi uma oportunidade para a banda mostrar sua vitalidade e autenticidade, desafiando a mídia que constantemente especulava sobre seu fim. Foi um momento em que eles puderam dizer: “Estamos aqui vivos, parem de falar bosta da gente”.
Para quem ainda não teve contato com essa obra-prima, a recomendação é clara: assista ou ouça o MTV Unplugged do Alice in Chains. O episódio convida a mergulhar na história e na música de uma banda que, mesmo no caos, entregou uma das performances mais bonitas e significativas de sua carreira. O DVD e o CD estão disponíveis para quem busca uma experiência multimídia completa, mas a apresentação também pode ser encontrada facilmente online.



