30 anos de ROOTS do SEPULTURA | RD 101
No episódio 101 do podcast Redação DISCONECTA, o programa mergulha em um dos álbuns mais importantes da história do metal brasileiro e, talvez, da música nacional no exterior: os 30 anos de Roots do Sepultura. Nesta edição, Marcelo Scherer recebe Maurício e Boris Grilo para uma análise profunda sobre os bastidores, as polêmicas e o impacto estrondoso desta obra-prima, lançada em 1996.
A conversa explora a ousadia do Sepultura em misturar o peso extremo do metal com os tambores de Chico Science e Nação Zumbi, uma fusão que mudou a cabeça da banda e a cena musical da época. Os participantes relembram o choque de gravar com a tribo Xavante e a reação dos gringos ao encarte do CD, destacando como essa brasilidade autêntica se tornou um diferencial. A sonoridade “lamacenta” e “suja” do disco, produzida por Ross Robinson e mixada por Andy Wallace, é apontada como crucial para a identidade do álbum, que se tornou um marco.
O trio debate as rupturas sonoras do Sepultura ao longo de sua carreira, desde Morbid Visions até Arise, mostrando que a banda sempre buscou evolução. A influência de bandas como Korn e Neurosis, além do movimento groove metal com Faith No More e Prong, é discutida como parte do caldeirão de referências que moldou Roots. A troca de experiências em turnês internacionais e a “saudade de casa” impulsionaram a banda a incorporar elementos de suas raízes, apresentando ao mundo uma nova faceta do metal.
A discussão também aborda a relação de Roots com o nu metal. Embora o álbum seja frequentemente associado ao gênero, os convidados concordam que ele se pauta mais no hardcore e que a “explosão” do nu metal se deu, em grande parte, pelo sucesso avassalador de Roots, que mostrou às bandas que era possível “fazer o nosso som, vender, ir para MTV e lotar arena”. A autenticidade das letras, que abordavam a realidade brasileira e a raiva do “terceiro mundo”, é destacada como um fator chave para a verdade e o impacto do disco, em contraste com a fantasia de outros estilos.
Um dos grandes destaques do episódio é a análise da bateria revolucionária de Igor Cavalera. Sua criatividade e a linguagem única que desenvolveu para Roots, incorporando ritmos de maracatu e baião, são exaltadas como um marco que inspirou uma nova geração de bateristas. A comparação com a técnica de Eloy Casagrande, atual baterista do Sepultura, ressalta a diferença entre a inovação de Igor e a excelência técnica de Eloy, ambos fundamentais para a história da banda.
O impacto visual da capa e do encarte de Roots, com as fotos dos índios Xavante, é lembrado como um choque cultural para o público internacional, reforçando o caráter “exótico” e “selvagem” do álbum. A energia jovem e a mensagem direta de faixas como “Roots Bloody Roots” e “Attitude” são apontadas como um “sacode” que o disco proporcionou. O legado de Roots é inegável, pavimentando o caminho para o sucesso de gigantes como Slipknot, System of a Down e Deftones, que também encontraram autenticidade em suas próprias raízes.
Para conferir todos os detalhes dessa conversa eletrizante sobre o álbum que redefiniu o metal brasileiro, não perca o episódio completo do Redação DISCONECTA. Dê o play e venha bater cabeça com a gente!



