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Redação Disconecta

30 anos de THE SCORE do FUGEES | RD 116

5 min de leitura
30 anos de THE SCORE do FUGEES | RD 116
Foto: Divulgação

No episódio 116 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Luis Fernando Brod e Marcelo Scherer, junto com o convidado Virgílio Migliavacca, celebram os 30 anos de The Score, o icônico álbum do Fugees. Lançado em 1996, este disco não apenas redefiniu o hip-hop, mas também se tornou um marco cultural, atravessando fronteiras e gerações com sua sonoridade inovadora e letras carregadas de significado.

O trio mergulha no contexto musical dos anos 90, uma era dominada pelo gangsta rap e pela rivalidade entre as costas Leste e Oeste dos EUA, que culminou nas mortes de 2Pac e The Notorious B.I.G.. Em meio a essa atmosfera de “guerra de gangues” e ostentação, o Fugees – formado por Wyclef Jean, Lauryn Hill e Pras Michel – surgiu com uma proposta diferente. Com raízes haitianas, o grupo (cujo nome é uma abreviação de “refugees”) trouxe uma perspectiva de imigrantes, abordando questões sociais e políticas sem a violência ou o foco no crime e na ostentação.

A sonoridade de The Score é um dos pontos altos da discussão. Gravado em um porão em Nova Jersey com o dinheiro de um adiantamento da gravadora, o álbum é um caldeirão de influências que vão do R&B e soul à música caribenha, com fortes referências a Bob Marley. A produção orgânica, com uso de violão e outros instrumentos, e a habilidade de Lauryn Hill em mesclar rap e canto melódico, deram ao disco um brilho único, que o distanciou do som mais abrasivo da época.

O podcast destaca a genialidade do Fugees em samplear artistas inusitados, como Enya na faixa “Ready or Not”, e em regravar clássicos como “Killing Me Softly with His Song”, de Roberta Flack, que se tornou um dos maiores sucessos do álbum. Essa regravação, em particular, revelou o potencial vocal de Lauryn Hill, impulsionando sua carreira solo e abrindo portas para o movimento neo soul, influenciando artistas como Alicia Keys, Amy Winehouse e Erykah Badu.

A riqueza lírica de The Score também é explorada, com o grupo criticando a imitação de “mafiosos italianos” e defendendo uma identidade negra autêntica. A atemporalidade do álbum é inegável, com suas mensagens sobre imigração e justiça social permanecendo relevantes até hoje. O disco conquistou múltiplos prêmios Grammy, vendeu mais de 22 milhões de cópias e é constantemente citado entre os maiores álbuns de todos os tempos pela revista Rolling Stone.

Apesar do sucesso estrondoso, o Fugees implodiu como banda, com cada membro seguindo carreira solo. Wyclef Jean se tornou um produtor renomado, Lauryn Hill lançou o aclamado The Miseducation of Lauryn Hill, e Pras Michel também teve seu momento com Ghetto Superstar. No entanto, o legado de The Score perdura, mostrando que é possível fazer música de rua para o mundo, sem perder a essência.

Para entender a profundidade e a influência deste trabalho seminal, o Redação DISCONECTA convida você a ouvir The Score na íntegra e a mergulhar nesta análise detalhada que prova por que o álbum do Fugees é um clássico inegável. Dispa-se do preconceito e embarque nesta experiência musical!

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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