30 anos de TRAINSPOTTING e sua TRILHA SONORA | RD 102
No episódio 102 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Luis Fernando Brod e Marcelo Scherer, junto com o convidado Afonso Scherer, mergulham nos 30 anos de Trainspotting e sua espetacular trilha sonora. O filme, que marcou uma geração com seu enredo visceral, abriu um caminho diferente na música e se tornou um manifesto niilista sobre juventude, amizade tóxica e a busca desesperada por uma saída em meio ao caos da Escócia dos anos 90.
Lançado em 1996 e baseado no romance de Irvine Welsh, Trainspotting não é apenas um filme sobre vício em heroína. A discussão destaca como o diretor Danny Boyle utiliza técnicas cinematográficas inovadoras, como planos holandeses e lentes olho de peixe, para simular a desorientação e a loucura das drogas, criando uma montanha-russa emocional que desorienta o espectador. A escolha de cores e a velocidade dos cortes também contribuem para a imersão, tornando o filme um marco para o cinema.
O episódio aprofunda-se na crítica social do filme, que retrata uma geração frustrada pelo neoliberalismo e pelo capitalismo pesado dos anos 90, fazendo um paralelo com a busca incessante por consumo e a influência das redes sociais nos dias atuais. O monólogo “Choose Life” é revisitado como um convite irônico ao consumismo. A cena do “banheiro mais sujo de Edimburgo” e a subsequente viagem alucinógena de Mark Renton são lembradas como exemplos da capacidade do diretor de transmitir sensações e a podridão da realidade dos personagens.
A trilha sonora é um capítulo à parte, misturando clássicos com a efervescente cena clubber e eletrônica da época. Artistas como Underworld (com a icônica Born Slippy .NUXX), New Order (Temptation), Iggy Pop (Nightclubbing, Lust for Life), Lou Reed (Perfect Day), Primal Scream, Blur, Brian Eno e Elastica compõem uma seleção impecável que se integra perfeitamente à narrativa. A discussão ressalta como essa trilha, assim como a de Pulp Fiction, elevou a música a um papel de contadora de histórias, não apenas de fundo.
Os participantes também abordam a perspectiva do crítico de cinema Roger Ebert, que descreveu o filme como “pragmático”, mostrando que o vício leva a uma rotina exaustiva, suportável apenas pela droga e pela compreensão de outros viciados. A obra não glamoriza as drogas, mas expõe a realidade brutal e a camaradagem entre aqueles que buscam uma válvula de escape. A discussão se estende à abordagem contemporânea do vício como um problema de saúde pública, citando exemplos como a Austrália e o documentário Quebrando o Tabu.
Para fechar, o Redação DISCONECTA reforça a importância de apresentar obras de arte significativas para as novas gerações, combatendo o preconceito e o moralismo que muitas vezes impedem a compreensão de filmes como Trainspotting. Se você ainda não assistiu a este clássico atemporal ou não explorou sua trilha sonora, esta é a sua chance de mergulhar em uma experiência cinematográfica e musical que continua relevante e impactante até hoje.



