40 anos de MUNDO LIVRE S/A biografia da banda c/ Pedro de Luna | RD – 031
No episódio 31 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Marcelo Scherer e Luis Fernando Brod recebem o convidado Pedro de Luna para um bate-papo imperdível sobre os 40 anos de uma das bandas mais icônicas da música brasileira: a Mundo Livre S/A. O tema central é a biografia “Mundo Livre S/A 4.0: do punk ao mangue – 40 anos de lutas, conquistas e muito ativismo político e cultural”, escrita por Pedro de Luna, que mergulha fundo na trajetória da banda.
Pedro de Luna, um carioca apaixonado pelas bandas dos anos 90 e pela cena underground, explica sua motivação para escrever sobre a Mundo Livre S/A, uma de suas dez bandas favoritas. Ele destaca a importância da década de 90, vivida como ator cultural, e a forma como as relações eram construídas em uma “geração analógica”. A banda, que fez seu primeiro show oficial em 26 de setembro de 1984 na UFPE, completa 40 anos, enquanto 2024 marca os 30 anos dos álbuns de estreia de Mundo Livre S/A, Samba Esquema Noise, e de Chico Science & Nação Zumbi, Da Lama ao Caos.
A conversa explora a gênese do movimento Manguebeat, que, apesar de não ter sido “planejado” como tal pelos artistas, ganhou notoriedade pela imprensa. Pedro de Luna detalha como a Mundo Livre S/A nasceu em um contexto político e ativista, com Fred 04 (então conhecido como “Rato”) e seus colegas de Jaboatão dos Guararapes, que eram punks em meio ao cenário de redemocratização. A mistura improvável de hip hop, maracatu e tecnologia (com o computador Amiga na TV Viva) deu origem a um som único, que rapidamente chamou a atenção do Sudeste, especialmente através da MTV, que teve um papel fundamental na visibilidade das bandas.
O autor compartilha histórias dos bastidores, como a dificuldade da banda em assinar contratos e a gravação do primeiro disco, Samba Esquema Noise, que levou 660 horas de estúdio e contou com a participação de Charles Gavin, Malu Mader, Tony Platão, Paulo Miklos e Nando Reis. Apesar de ser um “sucesso de crítica e fracasso de vendas” (vendendo apenas 3 mil cópias inicialmente), o álbum é hoje considerado uma pedra fundamental. A “cabeça dura” e o posicionamento “punk” da banda, que frequentemente “sacanearam” a indústria fonográfica (como no clipe de “Livre Iniciativa” e na banda fake para playbacks), tiveram um preço, mas também garantiram a autenticidade e a lealdade de seus fãs.
Pedro de Luna também aborda a evolução da Mundo Livre S/A ao longo dos anos, com cada disco apresentando uma identidade própria e um “quê” conceitual, refletindo o engajamento político de Fred 04. Ele destaca a fase “dançante” com o EP Bêbado Groove e os álbuns politizados como A Dança dos Não Famosos e Walking Dead Folia. A banda conseguiu se reinventar tecnologicamente, com Léo D (tecladista e produtor) e Pedro Rasta (baixista) trazendo modernidade ao som, além de remixes de DJs como DJ Pedrosa, que revitalizaram músicas como “Meu Esquema”.
O biógrafo, que também é fundador da Ilustre Editora, compartilha sua experiência de “faça você mesmo” no mercado editorial, buscando autonomia e controle sobre seu trabalho, assim como a postura independente da Mundo Livre S/A. Ele menciona a importância de entrevistar não apenas os integrantes, mas também figuras dos bastidores como fotógrafos, empresários (como Beto Monteiro e Renata Maia do selo Banguela) e até mesmo familiares e roadies, que enriquecem a narrativa com “histórias de retirantes, preconceito e bastidores de gravadora”, como a origem do título “Carnaval na Obra” ou a hilária história do roadie Tan em Porto Alegre.
Para saber mais sobre a fascinante história da Mundo Livre S/A, suas lutas, conquistas e o legado do Manguebeat, assista ao episódio completo do Redação DISCONECTA com Pedro de Luna e mergulhe nos detalhes dessa biografia essencial. Não perca a oportunidade de entender como uma banda do Nordeste revolucionou a música brasileira e manteve sua essência “punk” por quatro décadas.



