50 de WINGS AT THE SPEED OF SOUND do WINGS | RD 108
No episódio 108 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Luis Fernando Brod, Marcelo Scherer e Virgílio Migliavacca mergulham nos 50 anos de Wings at the Speed of Sound, o álbum do Wings que, segundo a descrição do vídeo, é “o mais subestimado pelos fãs de Paul McCartney”. Lançado em 1976, o disco é o quarto consecutivo da banda a alcançar o topo das paradas nos Estados Unidos, consolidando a fase pós-Beatles de Paul.
O trio inicia a conversa compartilhando suas impressões sobre o álbum, com Marcelo Scherer revelando que, ao reouvir o disco com mais atenção, passou a apreciá-lo ainda mais. Ele destaca a sonoridade mais acústica e as pitadas de psicodelia e proto-industrial presentes em faixas como “Silly Love Songs”. Luis Fernando Brod complementa, ressaltando a importância da entrada de Jimmy McCulloch na guitarra e Joe English na bateria, que trouxeram um “tempero especial” e uma sonoridade mais rica, com destaque para flautas, mellotron, órgão e piano Fender Rhodes.
A discussão aborda a recepção crítica morna e negativa que o álbum recebeu na época, muitas vezes comparado a sucessos anteriores como Band on the Run. No entanto, o crítico Stephen Holden, da revista Rolling Stone, já em 1976, sugeria que Wings at the Speed of Sound poderia ser visto como um disco conceitual, com a faixa de abertura “Let ‘Em In” convidando o ouvinte a passar um dia com a banda. Essa interpretação é reforçada pelas referências na letra, que incluem membros da família de Paul McCartney e até Martin Luther King, além de um “tio Ern” que também é mencionado por Keith Moon em Tommy, do The Who.
Um dos pontos centrais do debate é a decisão de Paul McCartney de democratizar os vocais e as composições, permitindo que outros membros da banda, como Denny Laine e Linda McCartney, cantassem em algumas faixas. Essa escolha gerou críticas de fãs que esperavam ouvir apenas a voz de Paul, mas os apresentadores defendem que o álbum representa um momento em que McCartney quis “dividir o peso” e mostrar que o Wings era uma banda, não apenas seu projeto solo. Denny Laine, em particular, é elogiado por sua performance melancólica em “The Note You Never Wrote” e por assumir o baixo em várias músicas, demonstrando a confiança de Paul em seus colaboradores.
Apesar das críticas, o álbum é recheado de músicas memoráveis. Além dos singles “Let ‘Em In” e “Silly Love Songs”, que Paul McCartney escreveu como uma resposta irônica aos críticos que o acusavam de fazer canções “bobas” e “sentimentais”, o episódio destaca outras joias. Marcelo Scherer menciona “The Note You Never Wrote” e “Beware My Love”, além da faixa de encerramento “Warm and Beautiful”, que remete à sonoridade do Oasis. Virgílio Migliavacca elogia “Wino Junko”, cantada por Jimmy McCulloch, e a demo de “Beware My Love”, que conta com a participação de John Bonham na bateria.
O Redação DISCONECTA conclui que Wings at the Speed of Sound é um disco que, embora subestimado, merece ser redescoberto. A ousadia de Paul McCartney em experimentar novas sonoridades e dar espaço aos seus companheiros de banda é um testemunho de sua constante busca por reinvenção, característica dos grandes artistas. Se você ainda não ouviu este álbum por completo, a recomendação é clara: ouça-o do início ao fim em sua plataforma de streaming favorita e descubra essa fase única da carreira de Paul McCartney e do Wings.



