CONTEÚDO de ROCK e HEAVY METAL feito por MULHERES no YOUTUBE | Redação DISCONECTA – 018
No episódio 18 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Marcelo Scherer e Luis Fernando Brod recebem duas convidadas especiais para um bate-papo revelador: Ana Francovig, do canal N de Cósmica, e Deni, do canal Rex and Shoes Collection e Bandas Pobres. A discussão central aborda o universo do conteúdo de rock e heavy metal feito por mulheres no YouTube, explorando os desafios, preconceitos e a crescente autenticidade feminina nesse cenário.
A conversa começa com as convidadas compartilhando suas trajetórias no mundo do rock e metal. Deni, carioca com infância no Norte do Brasil, relembra como o rock era mainstream nos anos 90, com bandas como Metallica, Megadeth e Guns N’ Roses tocando nas rádios. Ela conta sobre a “surra magistral” que levou da mãe por querer assistir ao show do Queensrÿche no Rock in Rio e como a liberdade e a transgressão do rock a cativaram, em contraste com as expectativas de ser uma “menina Lady”.
Ana Francovig, por sua vez, teve a sorte de crescer em uma casa que valorizava o rock e o metal clássico. No entanto, sua busca por transgressão a levou ao thrash metal e ao black metal, além de uma imersão na literatura gótica e filosófica. Ela destaca como o metal se conecta a temas históricos e literários, mencionando a influência de Lord Byron e a banda Satyricon. Ana também compartilha sua experiência como baterista, tendo gravado com a banda Ímpetos Malignos, e como a literatura se tornou sua principal expressão artística.
Um dos pontos altos do episódio é a discussão sobre o machismo e o preconceito enfrentados pelas mulheres no rock e metal. Deni aponta que, dentro do próprio metal, há uma barreira onde as mulheres são automaticamente “empurradas” para as “divas do Symphonic Metal”, como Epica e Within Temptation, mesmo que prefiram vocais mais agressivos e crus. Ela critica a ideia de que mulheres só gostam de metal por causa de “cabeludinhos” e ressalta a hipocrisia de comentários sexistas, que, embora menos frequentes hoje, ainda persistem.
Ana concorda, afirmando que o “misantrópico dos trópicos” – o fiscal de rock – apenas mudou de roupagem, tornando-se um “idiota com flor na barba” que tenta “ensinar” como uma mulher deve se comportar no universo do metal. Ela menciona que, apesar de ter nascido em uma família roqueira, sofreu represálias por gostar de Burzum, Deicide e Darkthrone. Ambas as convidadas enfatizam que a internet, apesar de seus problemas, deu às mulheres o poder de se informar, colecionar e se expressar sem depender da aprovação alheia, superando a humilhação de ter que provar seu gosto musical.
Ao final, as convidadas são unânimes em incentivar outras mulheres a criar conteúdo sobre rock e metal. Deni aconselha: “Bota a cara no sol, faz o conteúdo de vocês e passa por cima, porque quem tá confortável não vai ceder espaço para quem tá chegando”. Ana complementa, dizendo que é preciso se expressar artisticamente “sem medo da totinha que for, da orientação que for”, mas com a ressalva de que é preciso estar preparada para os comentários negativos. Elas destacam a importância de trocar informações e fortalecer a comunidade, como fazem Líbia Rock, Iara Guimarães do Palheta Musical e outras criadoras de conteúdo.
Este episódio do Redação DISCONECTA é um convite à reflexão sobre a presença feminina no rock e metal, celebrando a autenticidade e a força das mulheres que, como Ana e Deni, desbravam esse universo com paixão e conhecimento. Não perca este bate-papo inspirador e junte-se à discussão!



