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Redação Disconecta

MAINSTREAM é o novo NICHO | RD 042

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MAINSTREAM é o novo NICHO | RD 042
Foto: Divulgação

No episódio 42 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Marcelo Scherer e Luis Fernando Brod, com a participação de Júlio Mauro, mergulham em um debate instigante sobre a dinâmica atual da indústria musical: “MAINSTREAM é o novo NICHO”. O programa explora como a fragmentação do público e a ascensão dos algoritmos redefiniram o que significa ser um artista de sucesso na era digital.

A discussão central compara o alcance de artistas do passado, como Michael Jackson com seu icônico álbum Thriller – que vendeu o equivalente a 15% da população norte-americana na época – com fenômenos contemporâneos como Taylor Swift, cujas vendas, embora massivas, representam uma porcentagem muito menor da população atual. O trio destaca que, com a proliferação de canais de distribuição (Spotify, YouTube, etc.), os algoritmos direcionam o conteúdo para nichos específicos, tornando o “mainstream” de hoje muito mais segmentado.

Um dos pontos altos do episódio é a análise da carreira de Charli XCX, artista que, segundo um artigo da Media Research citado por Marcelo Scherer, “oscilou entre o mainstream e a contracultura”. Em sua música “I May Say Something Stupid”, Charli XCX canta “Eu sou famosa, mas não tanto”, refletindo a realidade de muitos artistas que, mesmo com sucesso, não atingem o mesmo nível de onipresença de estrelas de gerações anteriores. O debate também aborda a questão da qualidade musical versus o sucesso comercial, com a observação de que músicas para TikTok muitas vezes já começam no refrão.

Júlio Mauro levanta a questão de que nem sempre quem está no mainstream está ali pela qualidade, mas sim por “jabá” ou “acessos falsos”, uma prática que, segundo Marcelo Scherer, sempre existiu na indústria. A conversa se aprofunda nas métricas de sucesso, diferenciando “escala absoluta” (tamanho dos números), “escala relativa” (comparação com outros artistas) e “alcance ativo” (engajamento real do público). É ressaltado que Taylor Swift e Beyoncé, por terem construído suas bases de fãs antes da fragmentação digital, possuem uma vantagem, mas mesmo o sucesso de Taylor Swift no Spotify, com 26 bilhões de streams em 2023, representou apenas 1,4% dos streams globais – um “nicho dentro do nicho”.

O programa explora como artistas como Taylor Swift e Beyoncé entenderam o “game” da mídia física, lançando múltiplas versões de álbuns como Midnight e The Tortured Poets Department, e como a venda de shows e merchandising se tornou a principal fonte de renda. A Eras Tour de Taylor Swift é citada como exemplo, com uma média de 54 mil fãs por show nos EUA e um gasto médio de US$ 1.327 por pessoa, gerando US$ 2 bilhões em vendas de ingressos. O caso do artista brasileiro Jão, que investe pesado em produções de palco, também ilustra essa nova realidade.

A conclusão é que, em um mundo com mais de 8 bilhões de pessoas e 100 mil músicas sendo upadas diariamente no Spotify, o conceito de “mainstream” se transformou. O que antes era um fenômeno unificado, agora é um conjunto de “tribos” ou nichos especializados. O episódio destaca que o engajamento da base de fãs, ou “fandom”, é crucial para o sucesso, superando a simples quantidade de seguidores ou plays.

Não perca esta análise aprofundada sobre as complexas transformações do mercado musical e descubra por que o mainstream de hoje é, na verdade, o novo nicho. Assista ou ouça o episódio completo do Redação DISCONECTA para entender as nuances por trás dos números e do sucesso na era digital!

Autor

  • Marcelo Scherer

    Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate da cultura física como host do podcast e newsletter Papo de Colecionador, dedicado a LPs e CDs. Além de assinar resenhas críticas no site, expande o debate musical no comando dos programas Disconecta na Rádio na Fm Cultura 107,7 de Porto Alegre/RS e Pôr do Som na Sintonia Fm 94.7 de Torres/RS.

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