“O rock nacional não foi nos anos 80”, Mário Testone (Casa das Máquinas) Manda a Real
O lendário tecladista Mário Testone, famoso por seu trabalho na icônica banda Casa das Máquinas, abriu o jogo sobre bastidores, maturidade e a verdadeira história da música brasileira. Em um papo direto e sem rodeios durante sua participação no podcast Redação DISCONECTA, o músico refletiu sobre o início da carreira e questionou abertamente a narrativa construída pela grande mídia a respeito da trajetória do rock no país.
Ao ser indagado sobre a própria trajetória, Testone foi enfático ao afirmar que viveria tudo novamente, mas com a experiência e a visão crítica que possui hoje. Segundo o tecladista, na época das gravações históricas nos anos 70, o grupo era composto por garotos movidos apenas pelo desejo de tocar e se divertir, sem grandes preocupações comerciais ou técnicas. Com a bagagem acumulada em meio século de estrada, ele admite que daria um acabamento muito mais profissional à produção e aos detalhes do som.
O tom da conversa subiu quando o assunto migrou para o papel da imprensa e das gravadoras na construção da memória do rock nacional. Mário fez uma crítica severa à ideia amplamente difundida de que os anos 1980 representam o nascimento do rock no Brasil. Para ele, a verdadeira essência do gênero foi consolidada na década de 1970. O movimento de massa que tomou conta das rádios nos anos seguintes foi, em sua visão, uma onda de pop rock impulsionada por grandes selos fonográficos que diluíram o peso e a atitude do estilo original.
“Anos 80 foi a década do rock nacional? Vocês estão doentes da cabeça! Bicho, o cara não se informa, não sabe nem a história do próprio país”, disparou Testone. Como uma das poucas exceções na cena atual que mantêm a pegada visceral do estilo, ele destacou o trabalho recente do cantor Lobão.
Apesar das broncas no mercado fonográfico e na falta de memória da imprensa, Mário celebrou a oportunidade de continuar ativo e relevante após cinco décadas. O músico segue na estrada ensinando novas gerações e realizando apresentações comemorativas dos 50 anos de obras fundamentais da história da música brasileira, como os álbuns Lar de Maravilhas e Casa de Rock. A fala do artista serve como um resgate necessário sobre as origens do rock feito no Brasil, lembrando que a história da nossa música é muito mais profunda e complexa do que os rótulos comerciais do passado costumam sugerir.



