A banda pernambucana Ave Sangria teve sua anistia aprovada nesta quinta-feira, 26, pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos. A decisão formaliza um pedido de desculpas do Estado brasileiro pela censura imposta ao primeiro disco do grupo em 1974, durante a Ditadura Militar.
Na época, a censura interrompeu a ascensão da banda, que vivia seu auge. A medida arruinou as finanças do grupo e levou seus integrantes a um quadro de depressão, resultando no fim do projeto. Como reparação pela interrupção do vínculo de trabalho e pela perseguição sofrida, a decisão estabelece uma pensão mensal e vitalícia de R$ 2 mil, com o montante retroativo ainda a ser calculado.
Os fundadores Marco Polo (vocalista) e Almir de Oliveira (baixista e violonista) acompanharam a votação em Brasília por meio de uma transmissão no Memorial da Democracia, no Sítio Trindade, em Recife. O resultado foi recebido com celebração.
A canção “Seu Waldir”, do álbum de estreia “Ave Sangria” (1974), tornou-se o símbolo da censura. Embora seus versos parecessem românticos, a música foi alvo da imprensa, que a acusou de ter um suposto teor homossexual e de ser “um insulto à moral da família tradicional pernambucana”. Inicialmente aprovado pelos censores da Polícia Federal, o disco rapidamente emplacou nas rádios, mas o sucesso durou pouco devido à perseguição.
A banda ressurgiu na década de 2000, redescoberta por novas gerações através da internet. Em 2019, lançou “Vendavais”, seu segundo álbum. Com a anistia, Almir de Oliveira expressou otimismo: “Amplia ainda mais o leque de possibilidades para a gente trabalhar e incentivar a juventude e o povo brasileiro a ser aquilo que eles são, a lutar pelo direito de ter o seu próprio caminho. Viva a Ave Sangria!”.



