O Hall da Fama do Rock and Roll enfrenta um período de intensa controvérsia após o anúncio dos mais recentes indicados. A inclusão de nomes como Shakira e a ausência do Iron Maiden reacenderam o debate sobre os critérios da instituição. O crítico musical Marcelo Contreras afirma que o Hall da Fama abandonou sua base de qualidade e influência, buscando apenas a sobrevivência no mercado pop.
Contreras destaca a exclusão do metal, afirmando que “o heavy metal é uma das maiores vítimas todos os anos, e os críticos americanos têm uma resistência um tanto classista porque ele é muito identificado com a classe trabalhadora”. Ele aponta que o Iron Maiden ficou de fora da votação para o Hall da Fama de 2026, enquanto apenas Phil Collins e INXS, do universo do rock, estiveram entre os mais votados pelo público.
O crítico argumenta que o Hall da Fama perdeu o rigor inicial de 1986, assemelhando-se agora mais à política do Grammy do que ao reconhecimento artístico. “O Hall da Fama foi corrompido”, declara Contreras. Ele explica que a seleção atual não se baseia em qualidade ou influência, mas sim em “negociações” e na influência de gravadoras e grandes produtoras.
A abertura para gêneros como o R&B do New Edition ou o pop de Pink e Shakira é vista como uma estratégia para atrair públicos mais jovens, que já não consomem o formato tradicional de bandas de guitarra. “O que aconteceu nos últimos 10 anos foi que o conceito de rock se expandiu”, diz Contreras, indicando que a instituição busca se manter relevante diante de uma mudança geracional.
Há também um preconceito da crítica contra o metal e o rock progressivo, considerados “pretensiosos”. Contreras observa que a elite crítica americana prefere figuras mais tradicionais, como Bruce Springsteen. Ele relembra a dificuldade do Rush em entrar no Hall da Fama devido ao poder pessoal de figuras como Jann Wenner, fundador da Rolling Stone, que não aprovava a banda. No entanto, a reação dos fãs na introdução do trio canadense em 2013 demonstrou o peso do público.
Por fim, Contreras critica o viés “autocentrado” da instituição, que ignora o sucesso global de bandas britânicas ou internacionais que não tiveram um impacto massivo no mercado americano, citando Blur e A-ha como exemplos.



