“Zona Zen”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, ganha relançamento em vinil especial

Luis Fernando Brod
3 minutos de leitura
Rita Lee. Capa de Zona Zen.

O álbum “Zona Zen”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, lançado originalmente no final de 1988, está sendo relançado pela Universal Music Brasil. A nova edição chega em vinil vermelho marmorizado, mantendo as artes e encartes originais do projeto.

O disco foi concebido como o sucessor de “Flerte Fatal”, um trabalho de sucesso do casal. “Zona Zen” se destacou pela capa em preto e branco e por sua densidade paulistana, com referências à cidade em sua fotografia, que exibia grafites de Mauricio Villaça em um muro da Rua Purpurina, na Vila Madalena. O som do álbum é descrito como mais urbano e predominantemente pesado.

Nas faixas, Rita Lee aborda sua percepção de si mesma e do mundo, com um olhar direto e sem rodeios. A canção “Nunca Fui Santa”, escrita por Rita, mistura autodeboche e autoterapia, com versos como “Sou nova demais pra velhos comícios / Sou velha demais pra novos vícios”. “Independência e Vida”, também solo da cantora, reflete uma visão crítica do mundo, mas aponta para a liberdade como caminho.

Guilherme Samosa, estudioso do trabalho de Rita Lee, descreve o disco como “um belo registro da voz de Rita, linda e cristalina, com produção impecável de Roberto e na medida certa para cada canção”. No álbum, Roberto de Carvalho contribui com guitarra, violão, teclados, piano e programação de bateria eletrônica. Rita, além dos vocais, toca autoharp, castanholas e kalimba.

Rita Lee – Zona Zen. Crédito: Acervo Pessoal.

“Livre Outra Vez” é a faixa de maior sucesso do projeto, com um videoclipe gravado no centro de São Paulo, incluindo locações como a Estação da Luz e o Copan. A canção, com letra e voz de Rita, é considerada uma das mais doloridas de sua carreira. A faixa-título, “Zona Zen”, apresenta um tom misterioso e melancólico, com destaque para as castanholas de Rita e os teclados de Roberto.

“Cruela Cruel” é uma canção desiludida, com versos como “Sou um ninho no estranho / Mundo perigoso, insano / Nexo, yogas e roquebrou / Nunca a vida se mostrou assim tão cruela cruel”. O álbum também inclui regravações mais animadas, como “Sem Endereço” (versão de Rossini Pinto para “Memphis Tennessee”, de Chuck Berry), de Wanderléa, e “Cecy Bom”, uma adaptação de Rita para “C’est si bon”, de Henri Betti e André Hornez.

O disco é encerrado com “Mana Mané”, composta por Rita, que faz referência ao “verão da lata” de 1987. Apesar de ter um clima mais denso, “Zona Zen” vendeu 130 mil cópias e foi certificado com Disco de Ouro.

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