O MERCADO de DISCOS de VINIL no BRASIL | Redação DISCONECTA – 028
No episódio 28 do podcast Redação DISCONECTA, os apresentadores Luis Fernando Brod e Marcelo Scherer recebem um convidado especial para um mergulho profundo no universo do vinil. Nesta edição, Fred Souza, proprietário da loja Pulga Mercado de Discos do Recife, compartilha sua jornada e insights sobre o vibrante mercado de discos no Brasil.
Fred detalha sua paixão pela música, que começou na infância e foi intensificada na adolescência com a chegada da MTV e das rádios rock. Ele relembra a época das fitas cassete e a transição para o CD, um período em que o vinil parecia ter desaparecido. O retorno à mídia física aconteceu em 2015, de forma despretensiosa, até que a pandemia de 2020 impulsionou o crescimento da Pulga, que se tornou um negócio consolidado e, em 2021, ganhou uma loja física.
A conversa explora as particularidades do mercado de vinil, que, na contramão de outros setores, cresceu durante a pandemia, tornando-se um refúgio e passatempo para muitos. Fred e os apresentadores discutem a falta de matéria-prima que afetou a produção de novos discos, citando o caso do álbum 30 de Adele, que teve prioridade nas fábricas. A proximidade geográfica de Recife com a América do Norte é debatida, mas Fred esclarece que isso não se traduz em voos diretos, exigindo escalas em São Paulo para viagens internacionais.
O cenário do colecionismo em Recife é apresentado como relevante, com cerca de seis lojas físicas e muitos vendedores online. Fred alerta para o surgimento de lojas desavisadas que superestimam o valor de discos, confundindo “original” com “primeira prensagem”. Ele destaca a importância da transparência e do bom serviço, ressaltando que, hoje, o vinil é um item de colecionismo, e não mais a única forma de ouvir música, o que exige um cuidado extra com a experiência do cliente.
Um ponto crucial da discussão é a valorização dos discos brasileiros raros, como os de Marcos Valle, Moacir Santos, Arthur Verocai e Lula Côrtes, que se tornaram cobiçados por colecionadores e DJs estrangeiros, impulsionando o “hype” no mercado. A história do álbum de Arthur Verocai, que foi retirado do mercado e derretido para dar lugar a mais cópias de Secos e Molhados devido à crise do petróleo nos anos 70, é um exemplo fascinante de como a raridade pode surgir.
Os participantes também abordam a qualidade das prensagens nacionais antigas, muitas vezes inferiores às estrangeiras devido a questões socioeconômicas e à busca por preços mais acessíveis. O exemplo do álbum Goodbye Yellow Brick Road de Elton John, que saiu simples no Brasil e duplo no exterior, ilustra essa diferença. Em contraste, as edições japonesas são elogiadas por sua excelência, disciplina e qualidade superior, tornando-se altamente valorizadas globalmente.
O episódio é um convite imperdível para todos os amantes da música e colecionadores, oferecendo uma visão aprofundada e apaixonada sobre o mercado de discos de vinil no Brasil. Para continuar essa conversa e explorar mais histórias e curiosidades, assista ou ouça o episódio completo do Redação DISCONECTA.



