50 anos de STATION TO STATION de David Bowie | RD 093

Marcelo Scherer
3 minutos de leitura
Thumb do episódio Redação DISCONECTA sobre "Station To Station"

Na 93ª edição do podcast Redação DISCONECTA, o programa mergulha na mente e na obra de um dos maiores camaleões da história do rock. Conduzido pelos apresentadores Marcelo Scherer e Luis Fernando Brod, o episódio conta com a participação do convidado especial Marcus Vinícius, colaborador do portal e criador do projeto Balanço Musical. O foco do debate é a celebração dos 50 anos de Station to Station, um dos discos mais polêmicos e fascinantes de David Bowie.

O episódio destaca como o álbum representa um momento crucial de transição na trajetória do artista. Bowie estava saindo da bem-sucedida fase soul e funk do álbum Young Americans para se aventurar em uma sonoridade que abriria as portas para a sua famosa “Trilogia de Berlim”. É nesse cenário que ganha vida a sua última grande persona conceitual: o pálido e gélido Thin White Duke.

No entanto, a genialidade da obra esconde bastidores sombrios. O podcast não foge dos temas pesados e explora o estado extremo de dependência química em que Bowie se encontrava, impulsionado por um consumo alarmante de cocaína e noites sem dormir. Os participantes detalham como esse momento de psicose e paranoia levou o cantor a se envolver com o ocultismo e a dar declarações infelizes e controversas na mídia, chegando ao ponto de o próprio artista afirmar, anos depois, que não guardava nenhuma lembrança das sessões de gravação do disco. O programa também aborda a parceria com Iggy Pop, a quem Bowie tentou ajudar durante um período em que ambos tentavam escapar do abismo das drogas.

Apesar do turbilhão pessoal, a mesa concorda que o resultado entregue no estúdio foi impecável. A discussão analisa as texturas musicais de Station to Station, ressaltando a mistura inusitada de elementos do Krautrock alemão, Art Rock e R&B. O brilhante trabalho da banda de apoio recebe atenção especial no bate-papo, com grandes elogios às linhas de baixo encorpadas e marcantes de George Murray, além do trabalho cirúrgico do baterista Dennis Davis e a excelência das guitarras em canções como “Stay”.

Brod, Marcelo e Marcus chegam a um consenso: embora Station to Station não seja o disco mais recomendado para ouvintes iniciantes que desejam dar os primeiros passos no universo de David Bowie, trata-se de um projeto monumental. A sua influência foi gigantesca e ajudou a ditar as regras e a atmosfera para o movimento pós-punk que surgiria na Inglaterra nos anos seguintes.

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