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Por que amamos sofrer com música? Everybody Hurts do REM no topo das mais tristes

Luis Fernando Brod
Luis Fernando Brod
4 de julho de 2024 5 min de leitura
Por que amamos sofrer com música? Everybody Hurts do REM no topo das mais tristes
Foto: Divulgação

Uma das bandas mais importantes do chamado College Rock, aka Rock Alternativo, o REM teve uma de suas músicas eleitas como a música mais triste de todos os tempos.

Escutar música é uma atividade diária tão comum que muitas vezes não percebemos o impacto profundo que ela tem em nosso cérebro e nas nossas emoções. Quando ouvimos música, o som é captado pelos ouvidos e enviado para áreas específicas do cérebro responsáveis por interpretar esses estímulos. A repetição dos ritmos e harmonias desperta múltiplas regiões cerebrais, incluindo o tronco cerebral e o tálamo, ativando uma resposta em cadeia que envolve o cérebro como um todo.

De acordo com Fernando Gomes, neurocirurgião e neurocientista, em entrevista ao Viva Bem, a música pode modular o humor ao estimular neurotransmissores como a serotonina e a dopamina. Ela pode induzir sentimentos de euforia, alegria ou até tristeza profunda. Uma pesquisa realizada pela OnePoll e publicada no Wales Online em 2022 listou as 30 músicas mais tristes de todos os tempos, com ‘Everybody Hurts’ da banda REM ocupando o primeiro lugar, seguida por ‘Nothing Compares 2 U’ de Sinead O’Connor e ‘Tears in Heaven’ de Eric Clapton.

Essa investigação, conduzida pela marca de cuidados auditivos Earex em colaboração com Robert Till, professor de música na Universidade de Huddersfield, também analisou como a música afeta o humor, revelando que 48% dos 2.000 participantes sentiram um grande impacto emocional da música. A pesquisa mostrou que 36% das pessoas escolhem músicas tristes quando se sentem nostálgicas e 24% preferem essas canções após um rompimento amoroso. Curiosamente, quase metade dos entrevistados admitiu que músicas tristes podem, paradoxalmente, alegrar o dia.

Quando uma música se torna parte da memória afetiva de alguém, ela pode alterar os níveis de hormônios e neurotransmissores no corpo, influenciando nosso estado de alerta e nossas emoções. As influências genéticas e culturais também desempenham um papel significativo nas preferências musicais. Segundo Gomes, pessoas expostas a determinados ritmos durante a infância e adolescência tendem a apreciá-los mais na vida adulta.

Além disso, há evidências de que fatores genéticos podem influenciar a sensibilidade musical, fazendo com que algumas pessoas sejam naturalmente mais inclinadas a apreciar música, incluindo ritmos mais tristes. A música, portanto, não é apenas uma fonte de entretenimento, mas um poderoso modulador de nosso bem-estar emocional.

Veja a lista completa das 30 músicas mais tristes de todos os tempos

REM – Everybody hurts
Sinead O’Connor – Nothing compares 2 U
Eric Clapton – Tears in heaven
Whitney Houston – I will always love you
The Beatles – Yesterday
Adele – Someone like you
Celine Dion – My heart will go on
Roy Orbison – Crying
Eric Carmen – All by myself
Robbie Williams – Angels
Bill Withers – Ain’t no sunshine
James Blunt – Goodbye my lover
Toni Braxton – Unbreak my heart
Eva Cassidy – Songbird
Coldplay – Fix you
U2 – With or without you
The Beatles – The long and winding road
Al Green – How can you mend a broken heart?
Sam Smith – Stay with me
Amy Winehouse – Back to black
Carole King – It’s too late
Lewis Capaldi – Someone you loved
John Lennon – Jealous guy
Simon & Garfunkel – The boxer
Gary Jules – Mad world
Adele – Easy on me
Boyz II Men – End of the road
Neil Young – Only love can break your heart
Passenger – Let her go
The Fray – How to save a life

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