“Não é a Pedra Letícia que não é famosa. Você que é mal informado.”
A Pedra Letícia é uma das bandas mais consistentes do comedy rock brasileiro. Letras diretas, humor bem colocado e um som tocado com precisão ajudaram o grupo a ocupar um espaço raro, aquele em que a piada não atropela a música. Fazer graça todo mundo faz. Difícil é rimar “Central Park” com “desembarque”, sustentar um repertório de rock e ainda provocar risadas sinceras.
Liderada por Fabiano Cambota nos vocais, ao lado de Kuky Sanchez no baixo e Pedro Torres na bateria, a banda nasceu nos botecos de Goiânia e foi ganhando espaço do jeito menos óbvio, apostando em repertório autoral, presença de palco e conexão direta com o público. Hoje, conta também com a participação de Dan Barreto como guitarrista convidado, acrescentando peso e dinâmica às apresentações.
Com mais de duas décadas de estrada, a Pedra Letícia construiu uma trajetória sólida, circulando com naturalidade entre festivais, teatros, eventos corporativos e grandes festas populares. As músicas se espalharam pelas plataformas digitais, acumulando milhões de visualizações e reforçando a força da banda tanto online quanto ao vivo. A passagem por programas de TV e projetos especiais ampliou o alcance, sem comprometer a identidade nem o cuidado musical.

Nos shows, rock, comédia, improviso e histórias absurdamente reais se misturam sem fórmula fixa. Cada apresentação tem vida própria. Músicas conhecidas, interação constante com a plateia e um clima que se sustenta do começo ao fim, transformando o espetáculo em algo que vai além da execução do repertório.
Sou suspeito para falar da banda. Acompanho a Pedra Letícia desde o início, ainda em meados de 2008, quando, trabalhando em Curitiba, eu saía atrás de músicas para preencher a solidão do quarto de hotel ou aliviar a rotina de um trabalho que não empolgava muito. O vínculo ficou. É raro passar uma semana sem ouvir ao menos um álbum do grupo.
O lançamento de Pedra Leticia 20 anos, show comemorativo que marca duas décadas de carreira da banda, chegou em um momento importante, depois de um período menos tranquilo no ano passado, marcado pela saída do guitarrista Chico Mendes, episódio que nunca teve seus motivos totalmente esclarecidos.
O espetáculo reúne tudo o que quem acompanha a banda espera encontrar. Histórias, troca com o público, um rock muito bem tocado e letras que seguem funcionando na voz de Fabiano Cambota, o Sabiá de Goiás, que além de frontman da banda também conduz o programa de TV A Culpa é do Cabral.
Assisti ao show do início ao fim com um sorriso difícil de disfarçar. Alguns dos melhores arranjos já apresentados pela banda aparecem aqui, com a inclusão de uma mini orquestra formada por saxofone, trombone, trompete, violino, violoncelo, harpa, viola e viola caipira. Os arranjos e a direção musical são assinados por Pedro Torres, que amplia o repertório sem descaracterizar as músicas. Um outro destaque foi o local do show, a incrível Ópera de Arame, em Curitiba, com direção geral do cineasta e comediante Rodrigo Fernandes, o Jacaré Banguela.

Já estou movimentando os amigos para o show de Campinas, previsto para agosto. Para quem gosta da banda, é uma apresentação obrigatória. Para quem não gosta, também. O show completo está disponível no YouTube e no Spotify. É só dar o play, aumentar o volume e entender por que esse formato funciona tão bem ao vivo e… Toca Pedra Letícia!!!



