Promoções: Receba no seu whatsapp as melhores ofertas de CDs e LPs
Início - Sexo, Drogas e Rock And Roll: Os bastidores da gravação caótica de ‘Casa de Rock’
Histórias

Sexo, Drogas e Rock And Roll: Os bastidores da gravação caótica de ‘Casa de Rock’

Redação Disconecta
Redação Disconecta
5 min de leitura
Sexo, Drogas e Rock And Roll: Os bastidores da gravação caótica de ‘Casa de Rock’
Foto: Divulgação

Nos anos setenta, a cena musical fervilhava sob a máxima de sexo, drogas e rock and roll. Para muitos artistas, essa era não era apenas um estilo, mas uma vivência profunda. Nos corredores da criação, um tecladista, imerso nesse turbilhão, encontrou-se em um caminho de excessos que o levaria a um lugar inesperado.

Durante três meses, enquanto seus colegas preparavam a gravação de um novo disco, ele estava internado em um sanatório. Esse período de afastamento do processo criativo, marcado por uma espécie de pirada, como ele mesmo descreve, mudou o curso de um trabalho que viria a ser emblemático.

O contraste com o projeto anterior, “Lar de Maravilhas”, era gritante. Naquele disco, a liberdade de criação foi total. O tecladista, juntamente com Pisca, Natinho e Aroldo, pôde dar suas ideias, suas sugestões, moldando as camadas sonoras com autonomia e resultando em um trabalho que a banda considerava muito bom.

Já na gestação do que seria conhecido como “Rock”, o cenário era outro. A ausência do tecladista nas etapas de elaboração resultou em um álbum com mudanças notáveis no estilo. Distanciando-se do som progressivo que caracterizava “Lar de Maravilhas”, a nova obra inclinou-se para uma sonoridade mais crua e direta do rock and roll.

Ao retornar do sanatório, a readaptação foi dolorosa. Os efeitos da medicação eram severos, fazendo-o sentir-se mental e fisicamente debilitado. A simples tarefa de tocar o teclado parecia um desafio intransponível; a cabeça não respondia, e as mãos, menos ainda, numa luta para reencontrar a conexão com o próprio instrumento.

Contudo, a música chamava. Ele conseguiu fazer alguns shows com a banda e, logo em seguida, o grupo seguiu para o estúdio. O que o aguardava ali era um cenário de reformulações e adaptações que espelhavam, de certa forma, a própria jornada de superação.

No estúdio, a formação se apresentava com singularidades. Marinho e Netinho dividiam as baquetas, o que já era uma configuração pouco comum. Pisca, que era guitarrista, assumia agora o baixo, mas também continuava nas guitarras, após a saída de Aroldo da banda.

O tecladista se viu ali, sem o Aroldo, e sem um vocalista definido para gravar as bases. Simbas, que viria a se tornar a voz desse álbum, ainda não estava presente durante o registro inicial das faixas instrumentais, chegando depois do esqueleto musical já montado.

A ausência de Simbas na fase inicial de composição e gravação impôs-lhe um grande desafio. As bases vocais haviam sido preparadas nos padrões tonais de Carlinhos e Aroldo, os cantores de “Lar de Maravilhas”, que possuíam vozes mais agudas. Isso significava que Simbas, ao chegar, deparou-se com tonalidades altíssimas.

Ele teve de realizar verdadeiros milagres vocais para se adaptar às músicas, recorrendo a técnicas como a dobra de voz para alcançar o timbre e a potência necessários. Naquela época, a tecnologia de gravação era limitada, baseada em fitas magnéticas, sem as facilidades de edição e manipulação digital que hoje permitem ajustes precisos. Era a pura gravação, sem margem para retoques fáceis.

Assim, as tensões pessoais e as mudanças na formação da banda se entrelaçaram, moldando a sonoridade de um disco que refletiria não apenas a busca por um novo caminho musical, mas também a resiliência humana em face da adversidade. O álbum “Rock” da Casa das Máquinas, em sua essência, é um testemunho dessas batalhas internas e externas, gravadas em cada acorde e em cada nota.

Compartilhe esta matéria:

Relacionados

Deixe seu comentário

Participe da discussão

Seu comentário será analisado pela nossa equipe antes de ser publicado.

RÁDIO
DISCONECTA
Rádio Disconecta