Wu Lyf lança novo álbum após 15 anos e critica Spotify

Marcelo Scherer
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Marcelo Scherer
Jornalista, editor-chefe e fundador do portal Disconecta. Aos 46 anos, respira o ecossistema musical cobrindo rock, indie e cultura alternativa. É uma voz ativa no resgate...
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Wu Lyf. 2026. Anthony Harrison

A banda britânica Wu Lyf lançou seu novo álbum, “A Wave That Will Never Break”, na última semana, marcando o retorno do grupo após 15 anos. Em entrevista à NME, os integrantes Ellery Roberts e Tom McClung discutiram a decisão de deixar o Spotify e focar na construção de uma comunidade direta com os fãs.

O grupo, formado em Manchester, encerrou suas atividades em 2012, após o vocalista Ellery Roberts anunciar online que estava “sentindo-se vazio”. A banda já havia alcançado um status cult com seu álbum de estreia, “Go Tell Fire To The Mountain”, de 2011, e uma performance memorável de “Heavy Pop” no programa de David Letterman.

Roberts refletiu sobre o fim inicial da banda, dizendo à NME que “quando o espírito morre e se torna uma performance, a experiência fica bem vazia”. Ele adicionou que “onde parou foi um final bastante abrupto e traumatizante em muitos níveis para todos os envolvidos”. O reencontro, segundo ele, aconteceu de forma orgânica, com os membros “simplesmente fazendo jams juntos alguns anos atrás e se reconectando como amigos”.

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O baixista Tom McClung concordou, afirmando que o Wu Lyf havia se tornado “parte da máquina que faz todo mundo fazer as coisas do mesmo jeito”, o que levou à desilusão. “Havia ressentimentos que cresceram. As coisas chegam ao limite às vezes”, explicou.

Agora, com “A Wave That Will Never Break”, a banda optou por uma abordagem diferente. Eles disponibilizaram o novo material e conteúdo exclusivo através de seu site, worldunite.org, que funciona como um programa de associação chamado L Y F (Lucifer Youth Foundation). O objetivo é criar um espaço onde o trabalho seja “experienciado como um todo”, em vez de ser “encontrado de passagem”.

Essa estratégia inclui a remoção de seu catálogo anterior do Spotify e a criação de uma plataforma que oferece acesso antecipado a ingressos, produtos exclusivos e fóruns para fãs. Ellery Roberts explicou a motivação por trás da escolha: “O Spotify não foi feito para músicos — ele foi feito para uma corporação ganhar dinheiro.” Ele destacou que a plataforma de associação, com 1.100 assinantes, gera uma renda mensal que sustenta a banda, superando o que recebiam do serviço de streaming. A discussão sobre a remuneração de artistas em plataformas de streaming é um tema recorrente na indústria musical, como visto em casos como o da Anna’s Archive condenada a pagar US$ 322 milhões por copiar músicas do Spotify.

McClung aconselhou outros artistas a não “se jogar em algo que não são capazes de gerenciar”, sugerindo que o Spotify pode ser um passo inicial, mas a migração para plataformas centralizadas próprias pode ser o futuro. Roberts complementou que “não é um lugar para música alternativa independente” e que “algo vai surgir” como alternativa.

O álbum “A Wave That Will Never Break”, lançado em 10 de abril, é descrito pelos membros como um “respiro de alívio”, com uma sonoridade que “respira com um senso de aceitação”. A arte do disco traz a frase “Escolha o sentimento em vez da perfeição”, o que, para Roberts, critica a natureza “destrutiva” das “marcas curadas” que as pessoas criam de si mesmas online.

Sobre o futuro, a banda adota a filosofia de “escolher o jogo longo”. Ellery Roberts expressou o desejo de que o projeto continue a trazer “liberdade, aventura e alegria”. McClung adicionou que o objetivo é “fazer coisas acontecerem pelos próximos 12 meses para nos sustentar”, focando em pagar os membros, manter os fãs engajados e continuar criando música, sem se preocupar com o fim. “Mais dinheiro, mais problemas”, concluiu Roberts, ressaltando o desejo de uma indústria caseira sustentável e ética.

O Wu Lyf está em turnê pela América do Norte em abril e maio. Para ingressos, visite Ticketmaster. A banda também fará um show em sua cidade natal, Manchester, no Albert Hall, em 13 de junho. Informações e ingressos podem ser encontrados aqui.

(Via: NME)

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