Produtor Steve Lillywhite relembrou o turbulento processo de gravação do álbum “Dirty Work”, de 1985, marcado pelo quase completo silêncio entre Mick Jagger e Keith Richards.
Em participação no podcast Word in Your Ear, Lillywhite contou que os dois líderes dos Rolling Stones “não trocaram mais que uma hora de conversa” durante todo o período em estúdio. “Eles literalmente não ficavam na mesma sala”, afirmou. Nesse cenário, o produtor virou intermediário: “Um chegava e falava ‘blá, blá, blá’. Eu levava o recado ao outro, que respondia ‘diga a ele blá, blá, blá’. Eu me sentia um diplomata, como Henry Kissinger”.
Lançado em março de 1986, “Dirty Work” foi bem em vendas, mas a tensão impediu a banda de sair em turnê para promovê-lo. Apesar das dificuldades, Lillywhite disse ter tirado uma lição: manter o estúdio sempre de portas abertas para visitantes. Segundo ele, ouvir opiniões externas ajuda o produtor a perceber, quase em tempo real, detalhes que precisam de ajuste na mixagem.
O relato do britânico se soma a outras histórias que cercam a longa trajetória dos Rolling Stones, grupo que, mesmo com poucos integrantes fixos ao longo das décadas, enfrentou intensos conflitos internos. Hoje, “Dirty Work” permanece como o registro de uma fase de atritos profundos entre Jagger e Richards, refletidos tanto na sonoridade quanto nos bastidores do disco.



