Promoções: Receba no seu whatsapp as melhores ofertas de CDs e LPs
Início - Oasis – Don’t Look Back In Anger – resenha do documentário.
Resenhas

Oasis – Don’t Look Back In Anger – resenha do documentário.

5 min de leitura
Oasis – Don’t Look Back In Anger – resenha do documentário.
Foto: Divulgação

Don’t Look Back in Anger, recém-lançado nos cinemas em poucas sessões nos dias 10 e 12 de setembro (e em breve disponível no Disney+), serve como um importante documento da turnê de reunião daquela que foi a maior banda britânica dos anos 90: o Oasis.

Entrei na sessão com expectativas baixas, justamente por imaginar que a narrativa seria cuidadosamente controlada, como tem sido a tônica das narrativas de artistas e celebridades em geral na era das mídias sociais. De certa forma, foi exatamente o que encontrei. O próprio Noel Gallagher não me deixa mentir, ao deixar clara a intenção de alterar a narrativa em torno da banda criada por seu irmão Liam em 1991, mas levada por suas composições ao topo do mundo em meados daquela década.

Os motivos apresentados para a reunião dos irmãos Gallagher são bonitos e, emocionalmente, funcionam, mas o filme evita qualquer aprofundamento em aspectos menos convenientes da história. Não há espaço, por exemplo, para discutir o divórcio milionário de Noel, apontado por muitos como um possível estopim para uma reunião que certamente também é extremamente lucrativa.

Como observou Peter Watts, em resenha para a Uncut, o documentário nunca esclarece o que causou a briga final entre os irmãos, como as relações foram restabelecidas ou mesmo quem tomou a iniciativa da reaproximação. Em vez disso, após uma montagem rápida sobre o caos em torno do grupo em seu auge, opta por mostrar o reencontro profissional entre os envolvidos, em um galpão de ensaios em Londres.

Com o início da turnê, a estrutura do filme passa a ser construída a partir de pequenas histórias de fãs de vários lugares do mundo, cada uma associada a uma das músicas do setlist. Apesar disso, os momentos mais fortes surgem justamente dos registros espontâneos do público, que evidenciam como esses shows despertaram a sensibilidade, especialmente entre os homens, além de um forte senso de comunidade.

Nesse sentido, o trecho sobre Manchester após o atentado ao show de Ariana Grande, em 2017, é particularmente poderoso ao mostrar como a música pode servir de elo coletivo em momentos de trauma.

O carisma de Liam Gallagher responde por boa parte do entretenimento aqui. Seu humor continua afiado, e é impossível não rir quando ele compara a clássica postura blasé do Oasis no palco às acrobacias performáticas de Mick Jagger. O documentário, por meio do olhar de Noel, entende que Liam segue sendo um personagem irresistível e faz bom uso disso.

Outro tema interessante é a questão da nostalgia. Vivemos em uma época em que a palavra é vista de forma pejorativa, associada a um excesso de saudosismo. Em determinado momento do filme, Liam faz uma pergunta pertinente: por que a nostalgia se tornou algo ruim? Logo isso é complementado em fala de Noel, que sugere que as pessoas precisam de uma válvula de escape, em meio a tantas notícias ruins que recebem diariamente, e dos esforços para se manter sãos, tanto mental quanto física e financeiramente.

Se o Oasis está profundamente ligado à adolescência de tantos fãs, e continua conquistando novos ouvintes, como abordado no documentário, talvez não haja problema algum em abandonar temporariamente o cinismo. Nem toda experiência cultural precisa ser complexa, revolucionária ou desafiadora. Às vezes, existe valor em simplesmente em compartilhar bons momentos, sentir uma alegria coletiva. Em tempos distópicos (quando não o são?), e cientes de que tudo é político, buscar momentos de respiro é essencial.

Tecnicamente, o filme é impecável. A montagem mantém um bom ritmo, e a mixagem das músicas proporciona uma bela experiência a quem se dispuser a assisti-lo no cinema. Se o documentário não se propõe a investigar de forma mais honesta as complexidades da reunião do Oasis, como já era de se esperar, ao menos consegue capturar com precisão por que essa banda continua significando tanto para tantas pessoas.

No final, por mais piegas que seja, faz sentido a “moral da história” deixada pelos Gallagher sobre perdão, positividade e a importância de aproveitar a vida. Não deixa de ser irônico que, ao sair da sessão, eu tenha me deparado com uma cena constrangedora: dois casais, também vindos da mesma exibição, brigavam ruidosamente entre si na saída do local. Parece que, hoje em dia, até mesmo as mensagens mais simples são difíceis de absorver.

Don’t Look Back in Anger ainda terá sessões em vários cinemas do país amanhã, 12 de Setembro.

Compartilhe esta matéria:

Relacionados

Deixe seu comentário

Participe da discussão

Seu comentário será analisado pela nossa equipe antes de ser publicado.

RÁDIO
DISCONECTA
Rádio Disconecta