A banda que definiu a década de 1990, segundo Lee Ranaldo, do Sonic Youth

Luis Fernando Brod
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Luis Fernando Brod
Publicitário, redator e pesquisador musical com foco em classic rock, hard rock e bastidores da indústria fonográfica. Especialista com mais de 5 anos em resgatar a...
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O rock and roll é uma entidade em constante mutação, raramente permanecendo em uma única avenida de inspiração por muito tempo. Foi nos anos noventa que essa característica se manifestou com mais clareza, apresentando desde o cenário cru do grunge de Seattle até o movimento Riot Grrrl e o Britpop. No meio desse turbilhão, o Sonic Youth observava tudo de uma posição singular. Para os obcecados pelo no-wave de Nova York, aquela foi a década em que sua produção anteriormente underground finalmente rompeu a barreira do mainstream com discos como “Goo“.

Essa nova audiência inevitavelmente mudou a percepção sobre a banda, mas Kim Gordon e seus companheiros nunca pareceram criar música para agradar aos ouvintes. Essa ideia jamais esteve no manual do no-wave que eles herdaram dos ensinamentos de Glenn Branca em seus anos de formação. No entanto, a entrada no berço do rock alternativo permitiu que o Sonic Youth convivesse com os principais nomes daquela era. Elementos da sonoridade do grupo podiam ser encontrados em virtualmente todos os grandes álbuns alternativos da época.

Kurt Cobain era assumidamente obcecado pela produção do Sonic Youth, e Kathleen Hanna, do Bikini Kill, chegou a aparecer no videoclipe de “Bull in the Heather”. Mas, entre todos os nomes que circulavam naquele cenário, um grupo em particular conquistou a admiração profunda de Lee Ranaldo. Vindos de Stockton, os músicos do Pavement possuíam um domínio do slacker rock que, assim como o trabalho do Sonic Youth, nunca parecia se encaixar perfeitamente em uma cena específica.

Em 2017, ao listar seus discos favoritos, Ranaldo destacou a obra-prima de 1992, “Slanted and Enchanted”. Para o guitarrista, o Pavement foi sua banda favorita dos anos noventa, definindo aquela década melhor do que o Nirvana ou qualquer outro grupo. Ele via na banda de Stephen Malkmus uma natureza caótica que carregava elementos de tudo o que havia vindo antes, unindo a era do Sonic Youth ao período do grunge de uma forma única.

A apreciação de Ranaldo ia muito além do que estava registrado nos discos. Ele admirava a voz literária de Malkmus e o fato de serem uma unidade tão forte, apesar de cada integrante viver em uma cidade diferente. O Pavement raramente ensaiava e suas canções pareciam sempre montadas de improviso, mas essa música feita de forma aparentemente desleixada inspirava Ranaldo mais do que qualquer outra coisa produzida naquele tempo.

Embora o Sonic Youth tivesse um leque de influências vasto, que ia dos ritmos excêntricos de James Chance à psicodelia pioneira de Kevin Ayers, seus hábitos de audição nos anos noventa foram dominados pelo Pavement. Para um historiador da música, essa conexão revela como a autenticidade e a recusa em aderir a fórmulas prontas criaram um elo entre duas das bandas mais importantes da história do rock alternativo americano.

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