“BRITPOP”, de Robbie Williams, costura The Smiths, Oasis, The Verve e IDLES

Marcelo Scherer
5 minutos de leitura
Capa do álbum "BRITPOP" de Robbie Williams.

Sempre visto como um ídolo pop desde os tempos de sua boy band Take That, o inglês Robbie Williams nunca esteve entre os prediletos dos roqueiros mais ortodoxos. Muito pelo contrário, mesmo com a qualidade apresentada em seus primeiros álbuns solo, ele sempre foi visto como um “patinho feio” dentro do universo do rock.

Há muitos motivos para isso, particularmente porque boa parte dos apreciadores do estilo não consegue “tragar” muitas das melodias criadas pelo pop.

Pois acredito que chegou a hora de dar um bypass nesse preconceito, pois “BRITPOP”, o 13º álbum de estúdio solo de Robbie Williams, é um arauto no universo pop que sacudiu a indústria musical.

O cantor quis provar isso logo de cara. Tony Iommi, o pai do heavy metal, participa não só do primeiro single e clipe do disco, mas a música é o que dá o pontapé inicial do álbum. Pesada e rápida para os padrões de Robbie Williams, “Rocket” representa exatamente isso: um foguete. Com uma bela melodia, o artista quase “cospe” a letra em alta velocidade. Essa atitude representa a parte lírica, onde há um clima de quase explosão na vida do personagem, comparado ao momento de partida de um veículo espacial.

Mas engana-se quem pensa que o álbum se resume a isso. Muito pelo contrário, é a partir da segunda música, “Spies”, uma bela canção no mais clássico britpop noventista, que o álbum recalibra sua rota e dá o tom do que esperar da obra.

O mais puro britpop está de volta, com mais nuances pop do que rock. No entanto, o rock em nenhum momento do álbum é completamente abandonado pelo artista.

É espantosa, por exemplo, sua capacidade de se tornar atual. Ok, o britpop de Oasis, Blur e daquela turma foi há 30 anos, mas Robbie não flerta apenas com essa base sonora. Em músicas como “Bite Your Tongue” e “You”, há provas de que o músico está de olho na nova geração e bebe direto na fonte de IDLES, BIG SPECIAL e Sleaford Mods. As sonoridades intensas que iniciam essas músicas mostram o quanto ele ainda está em conexão com a realidade, mesmo com a sua idade, onde muitos músicos já estão no automático em suas carreiras, ainda mais quando fazem parte do mainstream mundial.

É difícil destacar apenas algumas faixas, pois o álbum é coeso e, até aqui (janeiro de 2026), está entre os favoritos do ano. Mas como nosso papel é este, vale ressaltar “Pretty Face”. Mesmo com uma letra bobinha, no estilo declaração de amor, a melodia é excelente. Essa é daquelas que está mais no pop do que no rock.

Outra faixa que recentemente ganhou clipe e se destaca não só por ser pegajosa, mas por ter aquele clima “Oasis” que tanto gostamos, aquele sabor dos anos 90, é “All My Life”.

“Cocky” é aquele britpop cru com um pequeno swing blues mais alegre. Não tem como não compará-lo à banda símbolo do estilo, pois lembra muito seus primeiros dias.

Já “Morrissey” é uma homenagem, ao menos parece, ao cantor do The Smiths. Nela, Williams apresenta seu apreço pelo cantor de Manchester em palavras que o acolhem e nas quais ele se sente, em alguns momentos, como o próprio Morrissey. Musicalmente, a faixa tem muito dos Smiths, lembrando, pela sua levada sincopada e por elementos eletrônicos, o clássico “How Soon Is Now?”.

Já “Human” e “It’s OK Until The Drugs Stop Working” mergulham naquele clima do The Verve em tempos de “Urban Hymns”.

A música que menos me cativou foi “Pocket Rocket”, que fecha o álbum. Uma balada singela e bonita, mas que parece estar ali mais para agradar algum fã desavisado do que para representar esse novo trabalho de Robbie Williams.

Mas o ponto negativo mesmo vem das faixas bônus, totalmente fora de contexto. O pior é que, nas plataformas de streaming, elas fazem parte da versão deluxe do álbum, e o problema é que só existe a versão deluxe nos streamings. Isso é algo que irrita bastante. Ah, como curiosidade, nessa edição deluxe, tem a música da copa do mundo com participação da Laura Pausini.

Confira abaixo o ábum “BRITPOP” de Robbie Williams

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