Purple Lung foi uma das descobertas mais legais do último mês. Passaram diversas bandas, mas o grupo me ganhou logo de cara.
O quarteto formado por Max Schmitt, James Jaskolka, Simon Beierle e Toni Pennello, que transita pelo doom e pelo stoner metal, lançou seu primeiro álbum completo, Mystic Vision. O trabalho marca uma nova etapa para a banda, que desde 2022 vem construindo sua identidade dentro do chamado dungeon rock — uma combinação de fantasia, atmosfera e peso em sua sonoridade.
Com riffs distorcidos e grooves arrastados, o álbum hipnotiza pela densidade, somada ainda aos vocais marcantes de Toni Pennello.
O Purple Lung já havia preparado o terreno para o que estava por vir com os singles Blademaster e Digging Up Snakes.
As marcas de Black Sabbath e Windhand também estão presentes, como se a agressividade sonora fosse um ponto-chave. Extremamente fundamentado, em certos momentos você pode até se pegar pensando em como o som da banda se encaixa em diferentes estilos: seria um blues rock mais pesado? Ou há elementos que apontam para o grunge ou até para o hard rock?
Isso só quem ouve pode decidir e provavelmente sair maravilhado. A agressividade do estilo da banda revela também sua versatilidade, sem medo de tentar alcançar algo novo ou revisitar caminhos já conhecidos por meio de suas referências.
Seja pelo ritmo acelerado, em comparação com a faixa de abertura “Annihilation Of Time”, ou pelo lado mais calmo de “Beware The Bog Witch”, passando pela pesada “The Watchful Eye” e pelo encerramento melodioso de “Dreamwalker’s Lament”, este é um álbum sem muita parafernália. Ele vai direto ao ponto, sabendo o que quer e contando com uma produção impecável.
Para um debut, o Purple Lung entrega de bandeja um álbum repleto de tudo que há de mais rico nos diversos galhos da grande árvore do heavy metal.
Há uma nova banda na cidade e o Purple Lung chegou quebrando tudo. Sem medo.



