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Prisencolinensinainciusol: quando a língua não importa

Julio Mauro
Julio Mauro
28 de março de 2025 5 min de leitura
Imagem restaurada por IA do clip prisencolinensinainciusol
Foto: <p>Imagem restaurada por <a href="http://disconecta.com.br/tag/ia" data-internallinksmanager029f6b8e52c="103" title="IA">IA</a> do clip prisencolinensinainciusol</p>

Em 1972, Adriano Celentano resolveu fazer uma música que ninguém conseguiria entender. Literalmente.

Prisencolinensinainciusol soa como inglês, mas não é. É uma sequência de sons inventados que imitam a língua americana. A ideia era simples: mostrar como muita gente escutava músicas em inglês sem fazer a menor ideia do que estavam cantando. O importante, no fim das contas, era parecer moderno.

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Quem era Adriano Celentano

Celentano já era um nome conhecido na Itália desde os anos 60. Começou como cantor de rock, influenciado por Elvis Presley, Chuck Berry e outros americanos que estavam sacudindo o cenário musical. Mas ele não ficou só na música. Virou ator, apresentou programas de TV e passou a ocupar espaço também como comentarista do cotidiano. Tinha uma mistura de carisma, humor e provocação que fazia dele uma figura difícil de ignorar.

Até chegar em Prisencolinensinainciusol, ele já tinha acumulado vários sucessos e era considerado um artista popular no sentido mais direto da palavra. Falava com todo mundo, sem perder a chance de cutucar comportamentos. Um desses alvos era o fascínio crescente dos italianos pelo estilo americano, principalmente na música.

A música que não diz nada

A ideia de inventar uma música que soasse como inglês, mas não dissesse absolutamente nada, nasceu desse incômodo. Ele queria mostrar que bastava cantar como se fosse inglês para soar moderno. A letra era só som. Nenhuma palavra real. E mesmo assim, funcionou.

A música tem uma batida inspirada no funk americano, com metais em destaque e uma linha de bateria que segura tudo. Na TV, a apresentação ao lado da esposa, Claudia Mori, virou um clássico. Eles dançam, gesticulam, fazem caras e bocas, tudo com aquele clima estranho que prende o olhar. A coreografia parece improvisada, mas tem algo de ensaiado que dá ainda mais força à mensagem.

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Depois do experimento

O público entendeu o espírito da coisa. A música virou sucesso nas rádios italianas e circulou fora da Itália também. Com o tempo, sumiu um pouco do mapa, mas foi redescoberta na era da internet, principalmente com o vídeo da performance original ganhando tração nas redes.

Celentano seguiu com a mesma postura provocadora nos anos seguintes. Continuou gravando discos, apresentou programas de TV com longos monólogos ao vivo e virou uma voz presente em debates sobre meio ambiente, consumo, religião e política. Sempre do jeito dele. Às vezes exagerado, outras vezes irônico, mas nunca superficial.

Prisencolinensinainciusol virou uma espécie de síntese disso tudo. Uma música que não dizia nada, mas falava muito. Continua funcionando até hoje porque ainda faz sentido. É dançante, é esquisita, é engraçada. E deixa no ar aquela pergunta que talvez nem precise de resposta: será que a gente presta mesmo atenção no que tá ouvindo?

A música legendada para vocês


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