Rosetta West segue de modo não convencional, porém sem mexer na receita. O que é ótimo!
Após o lançamento de Ressurection, God Of The Dead e Gravity Sessions, parece que o Rosetta West segue por uma linha fora de querer construir uma narrativa linear e sim criar um ambiente cheio de simbolismo. Como se cada uma das palavras fosse uma evocação. O misticismo já conhecido de seu trabalho prevalece.
E, para duas faixas, fica o querer mais.
Rosetta West na essência que é sua e algo mais
Em um território denso, com guitarras arrastadas e uma ambiência carregada, a voz não chega a guiar, ela vem assombrar diluída em reverbs e texturas que remetem à um ritualismo quase ancestral.
A letra se entrega na temática da memória, espiritualidade, retorno e a terra. Como se um passado que não desapareceu, permanece latente, pronto para emergir. A Irlanda não é apenas uma referência geográfica. É um símbolo, um lugar de origem, de conflito, uma herança cultural que tem sua importância levantada. É um discurso que flerta com o místico e o político, sem se prender aos dois.
As duas faixas são duas progressões lentas, como um transe contínuo. É perceptível que a essência do Rosetta West ainda está lá, mas tem um algo mais. Como sempre escrevo: ficamos aqui esperando para as próximas para ver qual caminho foi tomado.
Enquanto isso, não vamos ouvindo. Vamos experimentando este eco que insiste em não desaparecer.



